O PS considerou esta quarta-feira estarem «reunidas as condições mínimas» para o partido transmitir «o seu entendimento sobre os investimentos públicos» prioritários propostos pelo Governo, depois de o executivo ter enviado «parte dos documentos solicitados» pelos socialistas.

«Acusamos a receção, esta manhã, de parte dos documentos solicitados pelo PS (...) Estão agora finalmente reunidas as condições mínimas para o PS transmitir, a partir já de amanhã [quinta-feira], o seu entendimento sobre os investimentos públicos agora propostos pelo Governo e/ou pelo Grupo de Trabalho», escreve o PS, em carta dirigida ao ministro da Economia, assinada pelo secretário nacional do partido, Eurico Brilhante Dias.

O secretário de Estado das Infraestruturas, Transportes e Comunicações, Sérgio Monteiro, transmitiu na terça-feira a intenção do Governo de enviar nesse mesmo dia ao PS e restantes partidos os estudos que fundamentam a definição dos projetos de infraestruturas prioritários para os próximos seis anos.

«Neste momento o que nos interessa é alinhar interesses estratégicos com todos os partidos com assento parlamentar [relativamente a] projetos que não dependam de ciclos políticos», salientou Sérgio Monteiro, após uma reunião com dois responsáveis da Direção-Geral da Mobilidade e dos Transportes (DG MOVE) da Comissão Europeia, Dimitrios Theologitis e Bernardo Urrutia, para analisar as reformas em curso no setor portuário em Portugal.

«Queremos que, independentemente de quem venha a ser governo no futuro, seja capaz de levar para a frente projetos tão importantes para a competitividade do país», acrescentou o secretário de Estado.

O secretário-geral do PS, António José Seguro tinha afirmado, na segunda-feira, estar disponível para dialogar com o Governo sobre as infraestruturas prioritárias que serão alvo de investimento público nos próximos anos, desde que fossem disponibilizados os estudos envolvidos.

Na missiva enviada esta quarta-feira a António Pires de Lima o PS observou, no entanto, que apenas chegaram ao partido «parte dos estudos» solicitados pelos socialistas, o que «limita a desejável apreciação profunda» do assunto.

«Não devemos utilizar dinheiros públicos, dinheiro dos contribuintes, sem estudos custo-benefício ou sem estudos sobre o impacto dos projetos em termos de economia e de emprego», pode ler-se.

O relatório pedido pelo Governo, e elaborado por um grupo de trabalho que definiu um total de 30 projetos prioritários até 2020, aponta os portos e a ferrovia como prioridades para o investimento em obras públicas até 2020.

O documento refere que o financiamento prioritário deve provir de fundos comunitários (3.132 milhões de euros), do Estado (que ficaria responsável por 1.428,1 milhões de euros) e só uma pequena parte (543,6 milhões) deve ser adjudicada ao setor privado, num investimento global de 5.103,8 milhões de euros.