O dirigente socialista Carlos Zorrinho considerou esta terça-feira que «nunca houve» um ministro da Ciência no atual Governo, mas defendeu que não faz sentido pedir individualmente a demissão de membros do executivo PSD/CDS.

Carlos Zorrinho falava numa declaração aos jornalistas, na Assembleia da República, a propósito da controvérsia em torno da alegada existência de cortes nas bolsas de doutoramento e pós-doutoramento.

«Não faz sentido pedirmos a demissão de ministros individualmente, mas a verdade - e é a pergunta que deixou aos portugueses - é se alguma vez houve ministro da Ciência neste Governo?», questionou o ex-líder parlamentar socialista, depois de interrogado se o PS defende a demissão do ministro da Educação, Nuno Crato.

Sobre a ação de protesto contra a política do Governo na área da investigação, o ex-secretário de Estado dos executivos liderados por José Sócrates disse imaginar neste momento «a tristeza dos bolseiros que se manifestam» contra a política do Governo.

«Não é apenas o facto de esses bolseiros verem a sua vida precarizada e não saberem como vão pagar as suas contas nos próximos meses. Um bolseiro de investigação aposta uma vida num projeto - e ver um projeto apagado, como quem apaga um interruptor de luz, é próprio de alguém que demonstra uma enorme insensibilidade», advogou.

De acordo com Carlos Zorrinho, o PS «está solidário com os investigadores portugueses», partilhando com eles «a mesma visão de futuro para Portugal - um país com um futuro baseado no conhecimento, na inovação e nas competências».

«O Governo está a hipotecar o nosso futuro, fazendo com que os mais qualificados sejam obrigados a emigrar. Por outro lado, desvaloriza o trabalho dos que cá ficam, pressionando para uma baixa de salários», apontou.

Nas suas declarações, Carlos Zorrinho disse ainda que o Governo «vê sinais positivos no empobrecimento», facto que, pelo contrário, para o PS, «é um sinal tragicamente negativo».

«O ajustamento feito através do empobrecimento tem como único significado que os sacrifícios pedidos aos portugueses são para sempre e não têm fim. O PS defende o ajustamento pelo crescimento, pelo conhecimento e pela inovação», acrescentou o dirigente socialista.