As escutas telefónicas são uma das peças-chave da operação Marquês. As autoridades terão escutado um telefonema em que José Sócrates combinava entrega de dinheiro com Carlos Santos Silva. O seu amigo de infância terá, de resto, confirmado isso mesmo em primeiro interrogatório. É o que dão conta as edições deste sábado do «Expresso», no que toca às escutas, bem como do «Diário de Notícias», no que se refere às primeiras declarações de Santos Silva, em interrogatório.

O amigo de Sócrates terá, assim, admitido que entregava quantias monetárias ao ex-primeiro-ministro, mas alegando que o fazia sob a forma de empréstimo.

Só que a investigação leva a crer que, para além de entregar dinheiro a Sócrates, o empresário pagava também o salário ao motorista do agora preso 44. João Perna também está em prisão preventiva. Santos Silva terá, ainda, conseguido um emprego a Sofia Fava, a antiga mulher de José Sócrates.

Segundo o «Diário de Notícias», as declarações do amigo de infância do ex-chefe de Governo não terão convencido o Ministério Público, que acredita que o empresário mais não é do que o fiel depositário do dinheiro de Sócrates.

O rumo da investigação

As entregas de dinheiro ao antigo governante são um dos argumentos mais fortes que o Ministério Público reuniu para indiciar Carlos Santos Silva e o ex-líder do PS. Os investigadores suspeitam que todo este processo se trata de lavagem de dinheiro, ou seja, branqueamento de capitais.
 
E é preciso provar o crime de corrupção, o principal do qual José Sócrates é suspeito. Se não for provado, cai também por terra o crime de branqueamento de capitais. Isto porque o branqueamento de capitais ocorre quando alguém tenta esconder a origem de dinheiro ganho ilicitamente, para que aparente ser legal. Por norma, o dinheiro é enviado para o estrangeiro ou para paraísos fiscais e, depois, entra no país como dinheiro limpo.
 
Se os procuradores não conseguirem provar que José Sócrates favoreceu alguém, será difícil sustentar a tese de que precisou de lavar dinheiro para o justificar. Daí que, agora, o trabalho dos investigadores se concentre em procurar decisões dos governos do ex-primeiro-ministro que possam ter beneficiado alguém.
 
Recorde-se que o ex-primeiro-ministro está preso preventivamente, indiciado por crimes de fraude fiscal qualificada, branqueamento de capitais e corrupção. O seu advogado, João Araújo entregou na quarta-feira no Tribunal Central de Instrução Criminal (TCIC) um requerimento «a pedir a libertação» do ex-primeiro-ministro, alegando que o prazo de duração do inquérito foi ultrapassado.