O deputado socialista Carlos Enes criticou hoje o Governo português por estar em «silêncio total» face a uma alegada antecipação de prazos no processo de redução de militares norte-americanos na Base das Lajes, nos Açores.

Segundo Carlos Enes, «até setembro foram contabilizados menos 150 familiares de militares norte-americanos e, no mês de agosto, as comissões de serviço passaram de dois para um ano, deixando de ser transferidos militares com familiares».

Por via de perguntas formais dirigidas aos ministros da Defesa, José Pedro Aguiar-Branco, e de Estado e dos Negócios Estrangeiros, Rui Machete, às quais a agência Lusa teve acesso, o deputado do PS questiona as diligências e os contactos que já terão efetuado estes membros do executivo junto da administração dos Estados Unidos no sentido de se inteirarem «das razões do não cumprimento das regras que haviam sido estipuladas».

Carlos Enes pergunta também «qual a posição do Governo português no que respeita às obrigações do Governo norte-americano para com Portugal, e de forma mais específica para com os Açores, tendo em conta as relações de amizade existentes entre os dois países?».

No documento, o deputado socialista refere que o presidente do Governo Regional dos Açores, Vasco Cordeiro, já se deslocou aos Estados Unidos, tendo estabelecido contactos a nível político, «mas também junto das comunidades açorianas com o objetivo de as mobilizar em defesa dos interesses regionais».

«Todavia, a nível do Governo da República o silêncio tem sido total. Isto é, a entidade portuguesa a quem compete defender os interesses portugueses e, neste caso específico os açorianos, parece andar alheada de todo este processo», aponta Carlos Enes.

Carlos Enes critica ainda os ministros Aguiar-Branco e Rui Machete por, alegadamente, não terem respondido «a um pedido de audiência feito pela Comissão Representativa dos Trabalhadores Portugueses na Base das Lajes».