O presidente do PS, Carlos César, disse esta quarta-feira que a “polémica” em torno do pedido de ajuda externa evidencia a “fragilidade dos líderes da coligação” PSD/CDS e visa focar as atenções num “passado remoto”.

“O que se pretende, no fundo, com esta polémica os portugueses já perceberam: é que se fale do passado remoto, mas que não se fale de 2012, 2013, 2014 e 2015, em que Passos Coelho e Paulo Portas têm enterrado o país, e, sobretudo, que não se saiba o que eles querem fazer nos próximos anos”, afirmou o socialista, em declarações aos jornalistas em Ponta Delgada.

No entender de Carlos César, o vice-primeiro-ministro e líder do CDS, Paulo Portas, tem desenvolvido uma “relação lúdica” da política e da comunicação com os cidadãos baseada num “jogo de enganos”: “Pelo menos sorri sempre quando engana, ou seja, está quase sempre a sorrir”.

Já a postura do primeiro-ministro e presidente do PSD, Pedro Passos Coelho, é descrita pelo PS como “um caso mais sério”, de “incompatibilidade permanente com a verdade”.

O jornal Público divulgou hoje uma carta escrita em 2011 por Passos Coelho, enquanto líder da oposição, ao então primeiro-ministro José Sócrates, em que o social-democrata diz que, se o Governo da época considerar necessário, não deixará de apoiar o recurso a mecanismos financeiros externos.

“Enquanto Passos Coelho fazia trinta por uma linha para que tudo desse errado e para que o Governo fosse derrubado, António Costa [secretário-geral do PS] já não estava no Governo desde 2007, estava justamente a salvar as finanças públicas da Câmara Municipal de Lisboa”, declarou Carlos César.

O presidente do PS referiu que todos se lembram das “violentas críticas” da chanceler alemã, Angela Merkel, quando Passos Coelho “se recusou a aprovar o Plano de Estabilidade e Crescimento que já tinha o apoio de todos os parceiros” e quando “obrigou ao derrube” do executivo.

“E por isso mesmo acabou por fazer uma carta solicitando a intervenção de uma entidade externa – neste caso, o Fundo Monetário Internacional – para solver compromissos que, evidentemente, só podiam ser solvidos depois do derrube do Governo e do chumbo do Programa de Estabilidade e Crescimento”, acrescentou.

Devido a essas duas situações, apontou, houve uma desclassificação do país pelas agências de ‘rating’ e inúmeras dificuldades no mercado.

Ainda antes da declaração de Carlos César, Pedro Passos Coelho afirmou que a divulgação da sua carta sobre o pedido de ajuda externa é um tiro saído pela culatra que só embaraça o secretário-geral socialista, mostrando a situação dramática de 2011.