O futuro presidente do PS, Carlos César, rejeitou a perspetiva de as principais figuras «socráticas» do partido sejam afastadas da nova direção, contrapondo que os socialistas têm uma tradição de renovação e não de purga.

Carlos César, ex-líder do Governo Regional dos Açores entre 1996 e 2012, falava aos jornalistas à entrada para o XX Congresso Nacional do PS, antes ainda de ser eleito para suceder à ex-ministra Maria de Belém Roseira no cargo de presidente deste partido.

Questionado sobre as consequências para o PS da prisão preventiva do ex-primeiro-ministro, Carlos César respondeu: «Penso que esse caso não tem nada a ver com a vida do PS, mas o PS, sim, tem a ver com a sua vida - e hoje é um dos momentos que deve refletir sobre isso», respondeu.

Sobre esta questão, Carlos César ainda acrescentou: «O PS não vem a este congresso discutir o que aconteceu há uma semana, ou o que fez há 10 ou 20 anos atrás, mas sim debater o que poderá fazer agora e na próxima década».

Já quando confrontado com a possibilidade de as principais figuras das lideranças de José Sócrates serem agora afastadas da primeira linha do partido, o ex-presidente do Governo Regional dos Açores rejeitou essa evolução entre os socialistas.

«Naturalmente as listas não serão as mesmas do último do congresso, em que foi eleito António José Seguro [secretário-geral]. No PS não há uma tradição de purga, mas antes uma forte tradição de renovação e de adaptação ao tempo em que vivemos», declarou.

De acordo com Carlos César, o congresso «deve constituir um fórum em que o PS se requalifique, se reconcilie com a maior sensibilidade que os portugueses têm, que é a de terem um partido em que confiem, cuja palavra seja respeitada».

Ainda sobre o caso da prisão de José Sócrates, o futuro presidente do PS foi questionado pelos jornalistas se tenciona visitá-lo em Évora.

«A minha preocupação, para já, é participar no congresso do PS. Não sei, é possível», cita a Lusa.