
O presidente do Governo dos Açores afirmou que os resultados das recentes eleições em França e na Grécia «podem estimular muito» uma reflexão sobre a sustentabilidade do ideal e da governação europeia.
«Os desfechos eleitorais diferenciadores podem estimular muito uma reflexão com melhores resultados para a sustentabilidade do ideal e da governação europeia», frisou Carlos César, no discurso que proferiu na sessão comemorativa do Dia da Europa, que decorreu na Escola Básica e Secundária de Vila Franca do Campo, em S. Miguel.
Para o presidente do executivo regional, «só uma Europa socialmente mais forte e economicamente mais coesa, politicamente inconformada e mais esclarecida, poderá dar uma resposta mais eficaz aos desafios de desigualdade e de desemprego».
«Não podemos condescender com a imposição de hegemonias e lideranças na Europa, geradas à margem dos seus cidadãos, que coloquem em causa a dimensão social do projeto europeu, que tentem reerguer fronteiras internas ou que procurem encontrar em alguns estados ou grupos de cidadãos a razão dos problemas que a Europa consentiu e gerou e que deve resolver no seu todo», acrescentou.
Nesse sentido, considerou que «urge renovar o encontro com o espírito fundador da Europa e de nele colher a inspiração e a ambição que estão enfraquecidas perante os egoísmos e os especuladores dentro e fora do espaço europeu».
O presidente do Governo dos Açores destacou ainda o contributo da UE para a convergência da Região com os indicadores económicos nacionais e europeus, salientando o «retorno eficaz» da utilização dos fundos comunitários no arquipélago, mas defendeu ser essencial que os estados-membros «com maior nível de riqueza» assegurem os meios financeiros necessários à continuação das políticas de coesão territorial.
«Ao longo destes últimos anos, numa região ultraperiférica, apesar de todos os sobrecustos e constrangimentos inerentes a essa condição, foi possível conciliar uma gestão criteriosa e responsável dos fundos europeus e das finanças regionais com soluções de melhoria de indicadores sociais e de sustentação da economia», afirmou.
Carlos César lamentou, no entanto, que os Açores «estejam a sofrer as consequências de uma crise financeira e económica europeia, agravada pela crise nacional, que retira financiamentos, faz chegar austeridades e prejudica o rendimento das famílias, os negócios e a capitalização das empresas».
Neste discurso, Carlos César considerou ser muito importante «ter uma nova geração de açorianos ao serviço dos Açores e trazer às lideranças, inclusive ao nível político, gente nova», anunciando uma bolsa anual para a frequência de um curso de mestrado no Colégio da Europa por um aluno dos Açores.