O PSD aprovou quarta-feira os princípios estratégicos para as eleições autárquicas de 2017, incluindo o calendário de apresentação de candidatos, entre outubro próximo e abril de 2017, para ser o partido com mais câmaras e juntas de freguesia.

Não haverá apresentação de nenhuma candidatura antes de meados de outubro próximo e nunca depois de 31 de março do próximo ano. Tudo o que hoje foi aqui aprovado não tem em vista nenhum dos 308 concelhos. O que tem em vista é princípios e orientações gerais que deveremos cumprir ao longo de todo este processo autárquico", disse o coordenador autárquico social-democrata, Carlos Carreiras, em conferência de imprensa, em Lisboa, durante o Conselho Nacional.

Na véspera, na SICnotícias, o antigo edil lisboeta e também ex-líder do partido e ex-primeiro-ministro, Santana Lopes, declarou que, se tiver que decidir "neste tempo", passa, justificando com o facto de ter sido recentemente reconduzido na Santa Casa da Misericórdia de Lisboa e de ainda faltar muito tempo até às autárquicas de setembro/outubro de 2017, embora dizendo que, "até lá, o mundo girará muitas vezes".

Até hoje não discutimos qualquer nome. Está tudo em aberto. Estamos num processo de convergência com pessoas que pensavam de maneira diferente no passado", disse ainda Carreiras, presidente da Câmara Municipal de Cascais, questionado também sobre a hipótese de recuperar Marco Almeida, em Sintra, por exemplo.

O dirigente social-democrata reconheceu ir haver "atenção especial às maiores câmaras (a maior, Lisboa, e a quarta maior, Porto) e "projetos, estratégias, para cada um dos concelhos", uma vez que "as estruturas partidárias estão agora a aprofundar todas as ideias e projetos", num "processo descentralizado, de grande solidariedade interna" e "em conjunto com as comunidades locais", para o PSD "cumprir os objetivos a que se propõe: ganhar o maior número de câmaras e de presidências de juntas de freguesia".

No documento aprovado pelo Conselho Nacional do PSD, além dos prazos já referidos, há uma "orientação geral de apoiar a recandidatura a um novo mandato daqueles (presidentes de câmara) que estejam ainda em condições de o fazer", devendo tal facto ser comunicado à Comissão Política Nacional até ao final de 2016.

Nos municípios onde a avaliação política aponta para alianças ou coligações, as propostas deverão ser apresentadas pelas comissões políticas distritais à comissão coordenadora autárquica e à Comissão Política Nacional, com a fundamentação clara das suas vantagens políticas, até ao final do primeiro trimestre de 2017", lê-se.

Outro princípio de orientação estratégica do PSD para as autárquicas de 2017 é a "renovação dos quadros autárquicos", com uma "aposta na participação de novos e jovens quadros, assim como garantir nas listas a integração de mulheres, assumindo o compromisso de ir além daquilo que está na letra da designada ?Lei da Paridade'".

Nas últimas eleições autárquicas, em 2013, o PSD obteve, sozinho e coligado, um total de 106 presidências de câmara, o seu pior resultado desde que se realizaram pela primeira vez eleições para as autarquias locais, em 1976, conquistando 86 câmaras em listas próprias e 20 em coligações: 16 com o CDS-PP, duas com CDS-PP e o PPM, uma com o PPM e uma com CDS-PP, PPM e MPT.

Em termos de votos, os 830 mil conseguidos só se aproximam dos cerca de 700 mil das eleições de 1979 e 1982, nas quais, contudo, a coligação de centro-direita Aliança Democrática (AD) obteve mais de um milhão de votos.

Na altura, ainda como primeiro-ministro, Passos Coelho assumiu a "derrota eleitoral nacional", referindo que a meta traçada de manter a maioria das presidências de câmara e, com isso, a Associação Nacional de Municípios, não tinha sido alcançada.