A vereadora do PS na Câmara do Porto Carla Miranda revelou hoje ter visto o gabinete «violado e remexido», numa situação que o social-democrata Amorim Pereira considerou pretender obrigar a socialista «a repensar a posição» na autarquia.

«Isto é uma quezília da bancada do PS, que nunca viu com bons olhos que Carla Miranda não cedesse o lugar a quem lhe seguia na lista [da candidatura]. De uma ou de outra maneira a vereadora poderá ser obrigada a repensar a sua posição na Câmara», observou Amorim Pereira, na reunião pública do executivo.

O assunto provocou acesa discussão, sobretudo depois de o socialista Manuel Pizarro assegurar já ter explicado a Carla Miranda que o motivo das alterações se deveram a uma intervenção informática e a vereadora ter negado qualquer referência a tal esclarecimento.

«Alguma vez me falou na questão da informática? Não! Perguntou-me, quando lhe falei por telefone, se mexeram muito ou pouco e nunca mais me ligou. Ao meu gabinete não foi ninguém ligado à informática. Limitei-me a ir à portaria questionar quem pediu a chave, porque não ma pediram a mim», vincou Carla Miranda.

De acordo com a única vereadora do PS a quem não foi atribuído pelouro na coligação pós-eleitoral com os independentes de Rui Moreira, a situação aconteceu «há uma semana», depois de lhe ter sido dada a indicação de que «teria de mudar de gabinete».

«Perante a ausência de respostas deste executivo, vejo-me obrigada a dizer que alguém, sem o meu conhecimento, tenha entrado no meu gabinete, pegado em documentos que estavam espalhados e os tenha amontoado numa cadeira. Questionei como tinha sido possível esta intromissão», descreveu a vereadora.

O presidente da Câmara, Rui Moreira, disse ter pedido a Manuel Pizarro que «tratasse do assunto» e o socialista notou que Carla Miranda sabia «a resposta», relacionada com «acertos do sistema informático» do gabinete, por parte de uma equipa que, «por delicadeza, arrumou os papéis todos numa cadeira».

Amorim Pereira, do PSD, criticou a «política de terra queimada» e manifestou «solidariedade» com a vereadora do PS.

«Sem que o assunto [da mudança do gabinete] estivesse resolvido, ninguém pode, sem o conhecimento da vereadora, abrir a porta do seu gabinete, mexer nas coisas e voltar a sair. Isto não pode acontecer», frisou Amorim Pereira.

Esta é já a segunda vez que os social-democratas se solidarizam com Carla Miranda, depois de, na reunião camarária de 01 de julho, os vereadores do PSD defenderem a socialista Carla Miranda no caso da medalha ao presidente do FC Porto, por esta «ter sido objeto de crítica por emissários políticos» de Rui Moreira.

Rui Moreira voltou a explicar ter pedido a Pizarro para «tratar do assunto» e ter admitido «terem sido os serviços de limpeza». «Não há aqui política nenhuma de terra queimada nem de papéis queimados», frisou Rui Moreira.

Carla Miranda pediu ao autarca que solicitasse aos serviços a suspensão da pintura do gabinete, iniciada esta manhã, mas a questão ficou encerrada depois de Moreira insistir que «o que foi solicitado» à vereadora «foi que passasse para outro gabinete, há 12 ou 13 dias».

Sobre a aplicação das 35 horas semanais, Rui Moreira explicou que «se o secretário de Estado não responder», a autarquia pode «oficiar a própria Procuradoria Geral da República para dar conhecimento de um parecer que devia ser público».