O ministro da Agricultura reconheceu esta segunda-feira que os produtores nacionais de carne de porco estão a ser pagos a um preço inferior à média de referência e assinalou que é importante “suavizar o prejuízo” dos suinicultores.

“Temos uma pressão da oferta que tem vindo a pressionar os preços em baixa o que torna a vida muito difícil para os produtores”, afirmou Capoulas Santos à saída de uma reunião, em Lisboa, que visou “aprofundar e fomentar o diálogo” entre as diversas partes envolvidas na cadeia de valor: produção, indústria e distribuição.

O mais importante no imediato, destacou o ministro, “é procurar que os preços permitam suavizar os prejuízos dos produtores”, sendo necessário também “encontrar soluções de futuro com a abertura de novos mercados”.

Uma das reivindicações da produção é precisamente que a carne seja adquirida de acordo com os preços de referência praticados na bolsa do porco para a Península Ibérica, a bolsa de Lérida.

“Os preços pagos aos produtores portugueses estão um pouco abaixo desse valor e é importante que esse nível de preços seja conseguido”, admitiu o governante.


O preço médio praticado na bolsa de Lérida anda na ordem dos 1,25 euros, mas em Portugal os produtores estão a receber apenas 1,05 euros por quilo de carne de porco.

Capoulas Santos considerou, no entanto, “que há uma grande vontade para encontrar soluções”, mostrando confiança nas negociações bilaterais entre distribuição e indústria, que deverão continuar após a reunião de hoje.

O ministro relembrou ainda que o problema, que está a penalizar não só os produtores nacionais como também os europeus, em geral, tem a ver com o excesso de oferta, já que parte da produção que era canalizada para o exterior deixou de o ser, devido nomeadamente ao embargo russo e à crise económica em países como Angola ou a Venezuela.

Sobre os problemas de rotulagem que têm sido denunciados pelos produtores e que motivaram a intervenção das autoridades em algumas grandes superfícies, Capoulas Santos adiantou que “houve consenso” entre os agentes económicos que participaram na reunião de hoje, no sentido de dar mais visibilidade à identificação da origem da carne, “designadamente através da aposição da bandeira nacional” na carne embalada ou cortada em fresco.