O secretário de Estado dos Transportes afirmou hoje que o Governo converge com o PS no que diz respeito à entrada de capital privado na TAP, embora discorde do modelo proposto pelos socialistas por ser “uma impossibilidade técnica”.

Questionado após o Conselho de Ministros sobre as declarações do líder do PS António Costa, que admite a privatização da companhia aérea desde que não ultrapasse os 51% do capital, Sérgio Monteiro referiu que o PS “também vê com bons olhos” a venda de capital a privados, ainda que noutros moldes.

“Aí convergimos com o PS”, salientou o secretário de Estado.


“Achamos que é muito importante a TAP ter capital privado, mas achamos que o modelo proposto pelo PS é uma impossibilidade técnica”, acrescentou.

Em entrevista à TVI, na quarta-feira, o secretário-geral do Partido Socialista disse que o seu governo “tudo fará” para impedir a privatização da TAP, embora admita a abertura a privados

"Não permitiremos que a TAP tenha mais de 51% de capital privatizado. O meu governo tudo fará para impedir a privatização da TAP", afirmou, quando questionado sobre o processo de venda da transportadora portuguesa. Na entrevista, António Costa disse mesmo "esperar que até às legislativas não seja tomada nenhuma decisão irreversível". "É preciso travar isto", insistiu.


Sérgio Monteiro considera que o modelo proposto pelos socialistas “é impossível de materializar” porque a companhia aérea tem capital próprio negativo e não pode fazer um aumento de capital em bolsa.

“Há uma impossibilidade técnica, mas também formal, ou de montante, porque uma empresa que tem capital próprio negativo, fazendo o aumento de capital, não gera recursos suficientes para a capitalização de que necessitamos”, um valor que o Governo estima em 300 milhões de euros.


“Não é possível fazer isto em mercado de capitais”, reforçou, sublinhando que a estratégia do Governo “considera essencial a entrada desse capital para a sobrevivência da companhia”.

Sérgio Monteiro realçou que a “TAP opera num mercado altamente concorrencial com armas limitadas” já que não tem acesso a capital privado como todas as outras companhias e ‘low cost’.


Questionado sobre o impacto da greve dos pilotos sobre a privatização da TAP, o secretário de Estado prefere aguardar pelo dia 15 de maio para receber “as eventuais propostas”, esclarecendo que não houve “entrada ou saída de cláusulas” e que o caderno de encargos se mantém igual e tem de ser integralmente cumprido.

Sérgio Monteiro aproveitou para dizer que hoje, no sétimo dia de uma greve de dez dias decretada pelo Sindicato dos Pilotos da Aviação Civil (SPAC), a TAP realizou cerca de 85% dos voos previstos, acima da média de 70% dos dias anteriores.

Por outro lado, o ministro da Presidência e dos Assuntos Parlamentares, Luís Marques Guedes, salientou que “não é o Governo que está a afugentar” os potenciais candidatos à compra da TAP e reconheceu que apesar “da desobediência dos pilotos” à greve decretada pelo seu sindicato, “o dano reputacional para a empresa é tremendo”.

Os interessados na privatização da TAP têm até 15 de maio para a entrega de propostas vinculativas à aquisição de até 66% do capital do grupo, segundo anunciou o Governo.