O já anunciado candidato a Presidente da República Cândido Ferreira pediu esta segunda-feira à Procuradoria-Geral da República que investigue a operação de privatização da TAP.

“Entregámos um documento, uma carta, em que estamos a solicitar que a Procuradoria-Geral da República investigue e averigue os contornos da operação de privatização da TAP – Air Portugal, operação que nos deixa, e a todos os portugueses, sérias dúvidas”


Cândido Ferreira, médico, que apresentou a sua intenção de candidatura a Belém no dia 25 de abril, considerou que “ninguém em Portugal deu resposta a este problema, parece que é um segredo de Estado e um negócio público não pode ser segredo de Estado”. Nesse sentido, defendeu que uma investigação da PGR pode “repor alguma serenidade neste país”.

O desconhecimento do que vai acontecer com as rotas, com os trabalhadores e com os aviões preocupa o candidato presidencial, que falava em declarações à Lusa:

“Não se sabe se o Estado português assumiu ou não alguma responsabilidade financeira em função da evolução da TAP, isto é, no caso de alguma coisa correr mal, no caso de incumprimento do adjudicatário, não se sabe se perdemos a TAP, se perdemos empregos, se perdemos aviões, e ainda por cima vamos ter que pagar”


Cândido Ferreira deixou ainda uma crítica ao Presidente da República, Cavaco Silva, por ter afirmado sentir-se “aliviado” com a privatização da transportadora aérea nacional.

“O senhor Presidente da República disse publicamente, provavelmente depois de conhecer os contornos do negócio, que se sentia aliviado mas como anteriormente outros negócios que os portugueses recordam bem, correram muito mal, os portugueses têm o direto de pensar que possa existir alguma coisa que não esteja muito bem”, afirmou.

A privatização da TAP, recorde-se, foi ganha pelo consórcio de   David Neelman e Humberto Pedrosa. O negócio pode chegar aos   488 milhões de euros, dependendo da performance da companhia aérea durante este ano.   

A TVI revelou os  detalhes da proposta do consórcio vencedor da privatização: o total do encaixe financeiro da TAP para o estado deverá chegar só daqui a cinco anos, em 2020 e o consórcio conta com o apoio do Estado para reestruturar a dívida. 

A privatização tem gerado controvérsia e várias tentativas para travar o processo. Ainda esta segunda-feira, o Supremo Tribunal Administrativo indeferiu uma providência cautelar contra o negócio. 


Recolha de assinaturas sem "grandes problemas"


Votlando a Cândido Ferreira, a recolha de apoios para oficializar a candidatura à Presidência da República está, segundo diz, a correr bem, sem ter “grandes problemas na recolha de assinaturas”.

“ Ao contrário de outras candidaturas, temos alguns bastiões em cinco ou seis cidades neste país onde eu sou perfeitamente conhecido e onde gozo de um apoio muito importante”, afirmou.