Os vereadores do PCP na Câmara de Lisboa apoiaram a decisão de António Costa de não candidatar a cidade ao Campeonato Europeu de Futebol 2020, afirmando que «não estavam reunidas as condições».

Segundo o vereador comunista João Ferreira, o tema foi falado na reunião de câmara desta quarta-feira, tendo o presidente António Costa explicado aos vereadores que na base da sua decisão esteve o facto de não ter havido interesse por parte de outras entidades que devem estar associadas ao evento.

O Euro2020 «envolve custos e responsabilidades que a câmara está longe, por si só, de conseguir assumir», afirmou.

«Associado a isso, há um grau de incerteza a vários níveis: ao nível da receita e das equipas que viriam a Lisboa», acrescentou o vereador.

Contudo, João Ferreira criticou António Costa (PS) por ter tido conhecimento do processo da candidatura há alguns meses e só há 15 dias o ter dado a conhecer à oposição.

Na reunião de hoje foram aprovadas as edições de 2016 e 2018 do Rock in Rio, com o voto contra do PCP e a abstenção dos vereadores do movimento Cidadãos por Lisboa que integram a maioria socialista (Paula Marques e João Afonso).

Os vereadores do PCP não concordam com a isenção a 100% de taxas à promotora do evento, que no total somam aproximadamente três milhões de euros.

«A isso acrescem serviços vários que a câmara vai prestar e que são também na ordem dos três milhões de euros. Feitas as contas, são seis milhões no total», frisou João Ferreira.

O PCP votou também contra o Programa de Ação Territorial (PAT) para a Colina de Santana, que defende a desativação dos hospitais da zona apenas «após a construção e entrada em funcionamento» do Hospital de Todos-os-Santos, que ainda não começou a ser construído.

O PCP tem a «posição de princípio de que, independentemente do Hospital de Todos-os-Santos, os hospitais da Colina de Santana devem continuar a ser unidades de saúde».

Em declarações à agência Lusa, o vereador do PSD António Prôa criticou a falta de entusiasmo do presidente da Câmara de Lisboa relativamente ao Euro2020.

Segundo o vereador, António Costa disse que «a Federação Portuguesa de Futebol e o Governo não manifestaram apoio à candidatura» e que não conseguiu «apoio de suporte que o fizesse sentir confortável» para avançar com a candidatura.

«Lisboa perdeu uma oportunidade de ter a presença de um grande evento internacional e de promover a cidade, o que não acontece todos os dias», lamentou.

Quanto à Colina de Santana, disse que os vereadores do movimento Cidadãos Por Lisboa apresentaram uma contraproposta, pretendendo que a «deliberação final sobre a Colina de Santana dependesse da assembleia municipal».

«Eu sou o primeiro a defender o papel da assembleia municipal, mas depois dos contributos que já foram dados [nos debates, recomendações, entre outros] esta vontade ia além das competências legais da assembleia», disse Prôa.

Acabou por ser votada uma proposta diferente que, entre os objetivos do PAT, define o estudo da «dimensão financeira» dos investimentos na colina e que «devem ser repartidos pelos intervenientes» (Estamo, Ministério da Saúde, câmara).

Sobre o Rock in Rio, António Prôa disse que os valores das contrapartidas da câmara à empresa promotora do evento não constam da proposta, tal como as contrapartidas da empresa à autarquia não foram «descritas de forma rigorosa».

A proposta foi aprovada, mas o PSD propôs que «até à discussão em assembleia municipal sejam inseridos estes valores para que haja transparência no processo».

O vereador do CDS-PP, João Gonçalves Pereira, apresentou uma moção em que condenou «de modo veemente» a decisão de não se candidatar Lisboa ao Euro2020, um evento que iria ter um «inegável impacto positivo na economia da cidade».

O presidente António Costa recusou falar acerca do Euro2020, afirmando apenas que a candidatura foi analisada «com o melhor interesse».