Marisa Matias, a eurodeputada bloquista de 39 anos, apresentou este sábado, oficialmente, a sua candidatura à Presidência da República, porque quer "abrir as janelas" em Belém, de modo a deixar sair o cheiro a "bafio". Palavras suas, não perdendo tempo no ataque aos outros candidatos, nomeadamente Marcelo Rebelo de Sousa e Maria de Belém.

Primeiro, críticas à direita: "Querem fazer das presidenciais uma segunda volta das legislativas, querem uma desforra, querem vingança", afirmou a socióloga, antecipando que as forças políticas mais à direita "pretendem manter o poder em Belém para, a partir daí, bloquearem qualquer processo de transformação, perdida a maioria absoluta no Parlamento".

"A direita apresenta-se com um rosto mais civilizado, com um ar mais moderno e tolerante, mas não se iludam - quem procurou fazer da televisão um trampolim ao serviço da sua desmesura estará disposto a vender tudo e o seu contrário para atingir os seus objetivos"


Depois, aludiu novamente ao antigo presidente social-democrata e comentador político, por ser amigo do antigo líder do grupo Espírito Santo. E encaixou nessa crítica a antiga presidente socialista Maria de Belém por ter trabalhado para os serviços de saúde daquele império empresarial. 

"Candidato-me partindo de uma premissa radical - é possível chegar à Presidência sem a proteção do Espírito Santo. Nunca fui avençada do dito, em claro conflito de interesses com funções públicas na mesma área e nunca festejei a passagem de ano no iate do Ricardo Salgado", ironizou arrancando gargalhadas entre os seus apoiantes.

A apresentação da candidatura de Marisa Matias teve como palavra de ordem "Cavaco sai da frente, Marisa a Presidente!", improvisada momentos antes por alguns dirigentes bloquistas.

De volta à atualidade política, designadamente aos resultados eleitorais e posterior desenvolvimento de contactos entre os partidos de esquerda para uma alternativa de Governo, Marisa Matias lembrou que as últimas semanas esclareceram quaisquer dúvidas sobre a importância do cargo de Presidente da República.

"O Presidente que temos em funções é o exemplo de quem usa o seu papel para defender a estabilidade dos seus no poder e não a estabilidade da vida dos portugueses. O Presidente que temos em funções tem sido um divisor, uma força de bloqueio da democracia. Precisamos de alguém que agregue em vez de dividir, que resolva em vez de complicar", defendeu.

Os tempos que correm são "exaltantes", "tempos de esperança muito refrescante". "Agora, a democracia está a passar por aqui" e que "a direita anda desesperada como nunca a tínhamos visto", disse ainda.

Entre os apoiantes da candidatura de Marisa Matias contam-se figuras públicas como Alfredo Barroso, antigo chefe da Casa Civil do Presidente Mário Soares e sobrinho de Maria Barroso, ou a ex-jornalista e empresária Catarina Portas, irmã do atual vice-primeiro-ministro, bem como os músicos António Pinho Vargas e Miguel Guedes, entre outros.