Os candidatos presidenciais Paulo de Morais e Henrique Neto defendem que Portugal deve participar no combate ao grupo extremista Estado Islâmico, enquanto Marisa Matias e Edgar Silva rejeitam em absoluto uma intervenção militar na Síria.

António Sampaio da Nóvoa não exclui uma intervenção militar na Síria, mas só como último recurso e no respeito pelo direito internacional. Por sua vez, Jorge Sequeira admite que o uso da força possa ser necessário. Maria de Belém e Marcelo Rebelo de Sousa não deram uma resposta direta à questão.

Estas posições foram assumidas em resposta a um questionário enviado pela agência Lusa aos dez candidatos às presidenciais de 24 de janeiro, ao qual todos responderam, exceto Vitorino Silva. A pergunta em causa neste caso era: "Deve Portugal integrar uma força internacional de combate ao grupo Estado Islâmico e/ou uma intervenção militar na Síria? Se sim, em que moldes?".

"Portugal deve, em minha opinião, combater o estado Islâmico sem tréguas, com participação militar ativa", afirma Paulo de Morais. No seu entender, "aliás, também a questão dos refugiados de guerra da Síria deve ser tratada ao nível militar e não como se se tratasse de uma questão de apoio solidário".

Ressalvando que "o tema deve ser debatido entre as forças políticas na Assembleia da República e na sociedade", Henrique Neto declara: "Pessoalmente penso que Portugal deve assumir todas as suas responsabilidades no âmbito das Nações Unidas e da NATO e deve participar no combate ao chamado Estado Islâmico".

Jorge Sequeira responde: "Embora seja sempre preferível a via diplomática, admito que nestas circunstâncias a força possa ser o único argumento, pelo que admito que Portugal deva integrar uma força internacional de combate ao Estado Islâmico". Contudo, prevendo que "sangue português será derramado", observa: "Os 'drones' não têm sangue”.

Sampaio da Nóvoa diz que os "instrumentos diplomáticos, de informação e de pressão económica" devem ser usados "antes de se decidir "uma intervenção militar".

"A ter lugar, essa opção terá sempre que representar o último recurso. Neste âmbito, e sempre no estrito respeito pelo direito internacional, Portugal não se pode eximir às responsabilidades que assumiu perante os seus aliados", acrescenta.


Marisa Matias manifesta-se "completamente contra qualquer intervenção militar na Síria", contrapondo que "há soluções de paz que podem e devem ser postas em prática", como "secar as fontes de financiamento do Estado Islâmico". A candidata apoiada pelo Bloco de Esquerda adianta que "a única intervenção de forças militares em que consentiria seria no âmbito de missões de paz".

Edgar Silva, candidato apoiado pelo PCP, quer solidariedade para com os povos vítimas de grupos como o Estado Islâmico, mas rejeita que "a pretexto do seu combate, se intervenha militarmente na Síria, atentando contra a sua soberania e integridade territorial".

Em defesa da "não ingerência nos assuntos internos dos outros Estados", reforça: "Portugal, no respeito pela sua Constituição, deve resolutamente desvincular-se e condenar uma nova aventura belicista no Médio Oriente".

Maria de Belém não responde diretamente à questão.

"Uma decisão dessa natureza é hoje em dia tomada no quadro de alianças internacionais que Portugal integra. Será no seu âmbito que qualquer decisão neste âmbito deve ser tomada. Não é algo que o Presidente da República opine sozinho", justifica.


Também o social-democrata Marcelo Rebelo de Sousa, candidato com recomendações de voto de PSD e CDS-PP, não dá uma resposta direta.

"Compete ao Governo tomar a iniciativa em domínios como os referidos, devendo o Presidente da República convocar o Conselho de Estado, em concertação com o executivo, para ser ouvido sobre a matéria, se for caso disso. É, pois, deslocado estar a especular sobre temática que é, desde logo, de competência governamental", argumenta.


O ex-militante do PS Cândido Ferreira responde que "o cenário colocado parece remoto, mas, se ocorrer, e dada a sua delicadeza, o Presidente da República deverá procurar obter um amplo consenso nacional, fazendo a síntese das opiniões do Governo, da Assembleia da República, do Conselho de Estado e do Conselho Superior Militar e de Defesa Nacional, devendo mesmo alargar a sua consulta aos partidos políticos com representação parlamentar, antes de tomar qualquer resolução".