O candidato presidencial Henrique Neto defendeu hoje uma verdadeira regulação estatal sobre o setor bancário, comentando a última decisão do Banco de Portugal (BdP) relativa ao Novo Banco, entre outros "buracos" financeiros.

"Aquilo que mais me aflige não é tanto as diferentes soluções e remendos que vão sendo encontrados, mas a incapacidade, quer do Banco de Portugal, quer dos governos - o anterior e este -, de preverem os acontecimentos", disse, ao longo de visitas a dois mercados na zona de Alvalade, Lisboa.


O empresário afirmou que Portugal não pode "continuar a destruir riqueza, caso após caso", enumerando "a PT, o BES, o GES, o BPN, o BPP, agora o Novo Banco, este último caso do Banif" - "até quando!? Os Governos e o Banco de Portugal continuam a tapar buracos como se não acontecesse nada", lamentou.

"Aquilo que gostaria de ouvir dos governantes era dizerem 'as medidas que tomamos para isto não acontecer são estas'. Ora, o que os governos têm feito, nomeadamente este, que prometeu, aliás, não o fazer, é dobrar a espinha perante a União Europeia", criticou o ainda militante do PS e ex-deputado.

Para Henrique Neto, há que "ter uma estratégia para o país" e, "por outro lado, ter verdadeiros reguladores, que regulam, que preveem, que estudam os bancos, que têm pessoas nos bancos, que cumpram a sua missão, em vez de colocarem "apparatchik" [termo de origem soviética para designar burocratas partidários] e amigos no sistema económico à volta do Estado".

"Nos Estados Unidos, o país mais capitalista do Mundo, os bancos, um fechou - foi um problema, mas fizeram-no - e os outros têm levado multas de milhares de milhões de euros por desvios às regras e regulamentos. Mesmo na Suíça, na Inglaterra, os bancos foram penalizados porque estavam a ser verdadeiramente regulados", exemplificou.


Na noite de terça-feira, o Banco de Portugal decidiu retransmitir para o BES a responsabilidade pelas obrigações não subordinadas por este emitidas e que foram destinadas a investidores institucionais, cujo montante é de 1.941 milhões de euros. Esta medida permite recapitalizar o Novo Banco nesse valor.