A candidata presidencial Marisa Matias alertou este sábado para a "desigualdade" da sociedade portuguesa em várias áreas, dando o exemplo da banca, para referir que os contribuintes não podem continuar a "suportar os sucessivos buracos que se abrem".

"A banca tem sido o setor que mais escapou às responsabilidades fiscais e, ao mesmo tempo e de longe, o setor que mais danos provocou às contas públicas. E desde a crise financeira, a realidade deste setor tornou-se simplesmente intolerável", considerou a candidata presidencial apoiada pelo Bloco de Esquerda (BE) num fórum de ideias em Lisboa.


Depois, Marisa Matias declarou não ser possível que "continuem a ser os contribuintes a suportar os sucessivos buracos que se abrem" nas instituições bancárias "fruto da irresponsabilidade, da incompetência e da criminalidade financeiras".

"Se as atuais regras de regulação e supervisão do setor financeiro não permitem assegurar que as crises bancárias recaem sobre os acionistas e os grandes credores, então cabe ao poder legislativo assegurar que essas regras são reforçadas ou alteradas", advogou a eurodeputada e candidata a Belém.


As palavras de Marisa Matias surgem no dia seguinte a se saber que o Banco Internacional do Funchal (Banif) - em reestruturação desde 2012 - recebeu seis propostas de aquisição da participação social detida pelo Estado no seu capital.

O primeiro-ministro, António Costa, disse já ter "esperança" de que surgissem propostas para o Banif que dispensem a necessidade de um Orçamento do Estado retificativo para 2015, tendo também garantido a segurança dos depositantes no banco, mas mostrando cautela para com eventuais custos para os contribuintes.

O atual quadro político - com um Governo do PS legitimado por outras forças à esquerda na Assembleia da República - "reforçou a identidade e legitimidade do caráter parlamentar" do regime político português, frisa Marisa Matias, e o chefe de Estado "deve manter com o Governo e a Assembleia da República um diálogo e um relacionamento leal que promova a sua concretização na vida das pessoas".

Nesse sentido, prosseguiu, referindo-se a Aníbal Cavaco Silva, "nada contribuiu mais para o descrédito da Presidência da República do que um Presidente que deixou passar várias inconstitucionalidade e que teve de ser implicitamente desautorizado pelo Tribunal Constitucional".

Cavaco Silva, acredita Marisa Matias, "é o mais impopular dos Presidentes da República" da democracia portuguesa, porque "não esteve à altura das suas funções".

"Não cumpriu com o seu juramento - Cumprir e fazer cumprir a Constituição. E chegou ao cúmulo de fazer lista de exigências a um novo governo na qual não incluiu a Constituição", frisou a eurodeputada eleita pelo BE e candidata a Belém apoiada pelos bloquistas.