Os primeiros-ministros do Canadá, Justin Trudeau, e de Portugal, António Costa, tiveram na sexta-feira uma receção calorosa por parte da comunidade portuguesa em Toronto, num edifício que ficou sem luz depois de uma tarde de forte ventania.

Centenas de portugueses e lusodescendentes esperaram mais de uma hora pela chegada de António Costa e de Justin Trudeau ao edifício da LiUNA (um dos maiores sindicatos da América do Norte), mas estes cidadãos acabaram por ver o líder do executivo canadiano apenas por breves minutos.

Por razões de segurança, o jovem primeiro-ministro canadiano passou somente pela zona da receção do edifício, que ainda tinha a luz de final de tarde, mas não se aventurou pela escuridão do amplo salão de festas.

Em breves minutos, num ambiente de barulho infernal, com António Costa ao seu lado, Justin Trudeau deu alguns apertos de mão, saudou os portugueses e lusodescendentes, e partiu.

António Costa, que tem um protocolo de segurança mais flexível, ficou até ao fim da receção com a comunidade portuguesa e assistiu ao concerto do fadista Camané, que também teve de ser abreviado por causa da falta de luz.

Aconteceu depois o insólito de a luz ter regressado, precisamente no momento em que Camané se preparava para cantar o primeiro fado sem auxílio de microfone, à capela.

Antes do curto espetáculo de Camané falou o primeiro-ministro português, que aproveitou a falta de luz para transmitir uma mensagem aos membros da comunidade portuguesa:

"Não nos vemos bem, mas nem por isso deixamos de nos sentir todos como portugueses"

"Passa entre todos nós uma forte corrente", completou António Costa, recebendo então palmas da plateia e fazendo logo em seguida uma referência direta ao presidente do Governo Regional dos Açores, Vasco Cordeiro, que tinha discursado momentos antes.

"Seja o Governo Regional dos Açores, seja o Governo da República, Portugal não esquece e estará sempre junto de vós", declarou António Costa, ouvindo-se palmas e gritos de "yes" ou "bravo".

Num discurso muito dirigido aos membros da ampla comunidade portuguesa de Toronto, o primeiro-ministro referiu em breves palavras que as relações entre Portugal e o Canadá, na sequência da sua visita, "vão aprofundar-se".

"Mas aquilo que dá força às relações únicas entre Portugal e o Canadá é o facto de essa relação ser feita no dia-a-dia, ao longo destas décadas, por cada um e por cada uma de vós, pelo prestígio da comunidade portuguesa aqui no Canadá", afirmou António Costa, cujas palavras entusiasmaram a plateia, escutando-se novamente sonoros "yes, yes".

Com o secretário de Estado das Comunidades, José Luís Carneiro, ao seu lado, o primeiro-ministro referiu-se ainda "à excelência da integração" dos portugueses no Canadá e, sobretudo, à sua "conhecida capacidade de trabalho, de empreendedorismo e de iniciativa".

"A forma como vocês são respeitados no Canadá torna muito fácil a um primeiro-ministro de Portugal quando aqui chega apresentar o nosso país. Antes de nós dizermos que Portugal é assim, os canadianos já sabem que Portugal são os portugueses que vivem aqui no Canadá - o Canadá este país irmão", declarou, recebendo nova salva de palmas.

Mas o primeiro-ministro entusiasmou a plateia quando se referiu à importância dos cidadãos luso-canadianos com dupla nacionalidade.

Após alusões às alterações para a facilitação do acesso à nacionalidade portuguesa, aos avanços no recenseamento automático e à perspetiva de um acordo com o Governo de Otava no domínio da Segurança Social, António Costa disse depois sentir em cada um dos presentes na receção "uma ligação única a Portugal".

"Essa é uma magia extraordinária da nossa forma de estar no mundo. Temos a capacidade de, estando no Canadá ser canadianos, mas nunca deixando de ser portugueses. Mas temos também a capacidade de estando em Portugal ser portugueses, mas nunca deixando de ser canadianos. A oportunidade de alguém ter duas pátrias não diminui ninguém", acrescentou António Costa.

Antes, o presidente do Governo Regional dos Açores também empolgou a assistência, principalmente quando referiu que as questões da comunidade portuguesa "não têm só a ver com trabalho e com dinheiro".

"Há um sentimento de pertença à casa comum de Portugal e no meu caso à casa comum dos Açores", disse.

Mas Vasco Cordeiro deixou também uma mensagem de caráter político-eleitoral: "Se há homens capazes de resolver os vossos problemas são os primeiros-ministros de Portugal, António Costa, e do Canadá, Justin Trudeau", sustentou.

Recorde-se que durante o almoço entre António Costa e de Justin Trudeau, o primeiro-ministro canadiano recordou os tempos que passou em Portugal, com rasgados elogios: "Não se viveu até se ir acampar em Portugal"