Uma mudança na forma como se produz o dinheiro na Europa foi uma das propostas defendidas esta segunda-feira pelo cabeça de lista do PAN ao Parlamento Europeu, Orlando Figueiredo, numa ação de campanha em Setúbal.

«Nós defendemos uma Europa mais unida, com mudanças nas atuais estruturas, em particular na forma como o dinheiro é produzido, em que os bancos produzem dinheiro a partir do nada, através da emissão de dívida», disse aos jornalistas o candidato do PAN (Partido pelos Animais e pela Natureza).

Orlando Figueiredo, que participou esta segunda-feira numa ação de campanha eleitoral na avenida Luísa Todi e junto ao rio Sado, assegurou que o PAN tem «uma proposta concreta e exequível que visa democratizar a produção de dinheiro, centrada no Banco Central Europeu e distribuída pelos diferentes Estados».

«A quantidade de dinheiro a produzir seria decidida por um comité independente e depois era injetada na economia, através dos Estados e dos Governos. Em vez de se pedir emprestado, poderia-se despender esse dinheiro nos processos administrativos e organizacionais e também em investimentos que se considerassem pertinentes e de acordo com os seus programas», explicou.

«Essa é uma das principais medidas, que nos parece fundamental para tornar a Europa mais democrática e menos dependente da banca», acrescentou o candidato do PAN, que trocou impressões com dezenas de pessoas, procurando explicar as causas do PAN nesta campanha eleitoral para o Parlamento Europeu.

Orlando Figueiredo disse ainda que o Partido pelos Animais e pela Natureza não será, «nem poderia ser, um partido para defender exclusivamente os direitos dos animais», lembrando que nesse domínio já anunciou a elaboração de uma Carta dos Direitos dos Animais e do Ambiente e a constituição do Tribunal Europeu dos Direitos do Animais e do Ambiente.

Por outro lado, o candidato do PAN defendeu a redução dos apoios à PAC (Política Agrícola Comum), designadamente no que respeita à pecuária intensiva, que considerou «demasiado violenta para os animais».

«A pecuária intensiva é responsável por 17% das emissões de gases com efeito de estufa, como refere o relatório da FAO (Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura) de 2006. E alguns dados posteriores apontam para 51%», referiu.

«Para termos uma ideia, os 17% são mais do que todos os transportes terrestres do mundo. E se forem os 51%, é mais do que todos os transportes marítimos, terrestres e aéreos de todo o mundo», exemplificou.