O primeiro-ministro espera um «debate informado e sereno» na campanha eleitoral para as eleições europeias de 25 de maio, comentando que «é possível defender com convicção as suas ideias sem ser agressivo».

Numa conferência de imprensa após um Conselho Europeu, em Bruxelas, Passos Coelho, questionado sobre se os elogios que deixara minutos antes à eurodeputada socialista Elisa Ferreira, pelo trabalho desta no acordo sobre o mecanismo único de resolução bancária, era já uma resposta ao apelo do Presidente da República no sentido de uma campanha sem crispação partidária, disse que se tratou de «um elogio merecido, apenas isso», mas concordou que o debate nos próximos meses deve ser sobretudo «informado».

«Não tive nunca na minha vida nenhuma dificuldade em agradecer ou elogiar o trabalho muito positivo que é realizado por outras pessoas, sejam do meu partido, sejam de outros partidos, seja por pessoas portuguesas ou de outras nacionalidades. Calhou, nesta caso, tratar-se de uma deputada portuguesa, embora do PS, que teve de facto uma intervenção muito relevante neste dossier», começou por referir.

Quanto à mensagem deixada pelo Presidente da República, comentou que «todas as eleições devem ser uma oportunidade para um debate informado e sereno».

«Isso não significa que todos os intervenientes não possam defender com convicção as suas ideias, e isso, por vezes, é confundido com alguma agressividade. É possível defender com convicção as suas ideias sem ser agressivo», sustentou.

Passos Coelho defendeu que é preciso «ter sobretudo um debate informado para as eleições europeias, porque esta é a talvez a primeira vez em que se realizam eleições à escala da União Europeia a seguir a uma crise tão profunda que afetou a generalidade da UE», sendo também «a primeira vez que um debate destes ocorre a seguir à alteração do Tratado de Lisboa».

O primeiro-ministro fez por isso votos para que se discuta «a participação de Portugal na construção da UE», e «a UE como um todo para os próximos anos», e disse acreditar «que todos os intervenientes nesse debate não o esquecerão».

Também o cabeça de lista do PS às europeias, Francisco Assis, reagiu esta sexta-feira ao pedido de uma «campanha serena» às europeias, feito esta semana pelo Presidente da República, referindo que não se podem «camuflar as divergências».

«O momento eleitoral é o momento de afirmação das nossas diferenças e isso não prejudica em nada a possibilidade de ocorrência de compromissos futuros, se porventura eles se revelarem possíveis», salientou.

Francisco Assis referiu ainda que o PS tem sido muito claro em relação à questão dos compromissos.

«Nós não aceitamos compromissos que dignificam a abdicação do nosso posicionamento mais profundo. Nós não podemos aceitar um entendimento em torno de um programa que consideramos que é altamente prejudicial para o país e que está a empobrecer o país e parte da nossa economia, aumentar as nossas desigualdades, a gerar grandes tensões sociais no nosso país», sustentou.

Acrescentou que o PS está e sempre esteve disponível para compromissos «em torno de um projeto de desenvolvimento, de crescimento e de distribuição justa da riqueza criada no país», o que disse que «não tem acontecido com este Governo».

Até 25 de maio, Assis espera que seja possível dissipar progressivamente o alheamento que parece haver agora por parte do eleitorado em relação às eleições europeias.

«Eu julgo que, até por efeito da crise, as pessoas compreenderam a importância da Europa para a resolução dos seus problemas. Hoje o país percebe que muitas das nossas dificuldades só poderão ser superadas se houver uma alteração das políticas prevalecentes na Europa», frisou.