"Maria de Belém, aqui é que compra bem!" Foi até agora o grande banho de multidão desta campanha, Na feira da Tocha, em Cantanhede, Maria de Belém não teve mãos a medir: palavras de apoio dos populares, abraços e beijinhos, desabafos e até provas de algumas iguarias regionais. Pelo meio, ainda falou aos jornalistas, mas só para recusar comentar a "batota" de que os seus apoiantes têm falado quando se referem à campanha de Sampaio da Nóvoa. Depois, já na Figueira da Foz, num almoço comício que contou com o histórico socialista Almeida Santos, acabou por deixar um recado ao ex-reitor: "Os problemas dos portugeuses não se conhecem só numa campanha eleitoral fugaz".

Dez e meia da manhã. A energia dos feirantes contagiava todos os que passavam pela Tocha, neste domingo. "Cinco pares, dois euros", "é barato e dá milhões". Roupa, legumes, fruta, enchidos, queijos, há de tudo um pouco. 

Quando a comitiva de Maria de Belém chegou, um carro da campanha de Sampaio da Nóvoa, que apelava ao voto com um megafone, tinha acabado de passar pelo local. Alguns apoiantes que li se encontravam até brincaram com o momento, falando em "lavagem cerebral".

Mas a candidata nem se terá apercebido. E nada disso a impediu de receber o maior banho de multidão desta campanha. À frente de uma pequena comitiva com algumas bandeiras, a ex-ministra do PS percorreu uma parte do recinto da feira - a terceira que visita em três dias - e foi levada a fazer muitas paragens.

Saudações, beijinhos, palavras de força e até provas gastronómicas. A primeira para comer o famoso tremoço de Cadima, vendido por Isabel Ribeiro há mais de 20 anos e que se dirigiu à candidata para dizer que faz falta uma mulher na Presidência, Depois, para provar um exemplar dos enchidos regionais, que acabou por ter de dividir com um jornalista, pois, como revelou, não pode ingerir muito sal.
 
Idosos e muitas mulheres foram mais uma vez a faixa do eleitorado que marcou esta arruada. "É a Presidenta", "É jeitosinha", "A senhora parece mais nova do que na televisão, é muito gira", ouviu-se à sua passagem.

E até houve quem aproveitasse a visita para dar um impulso ao seu negócio. "Maria de Belém, aqui é que compra bem."
 
Pelo meio, ainda houve tempo para responder aos jornalistas, que a questionaram sobre a "batota" de que os seus apoiantes têm falado nos comícios quando se referem a Sampaio da Nóvoa. Mas Maria de Belém continua a deixar os ataques aos adversários para os seus apoiantes. Quanto a si, disse, não comenta.

"Tenho assinalado as mensagens principais da minha candidata. Não estou a falar de outros candidatos." 


Já na Figueira da Foz, num almoço-comício que contou com o Presidente Honorário do PS, Almeida Santos, deixou um recado ao ex-reitor, afirmando que não se conhecem os problemas dos portugueses apenas numa campanha eleitoral. Ela, referiu, sempre esteve "próxima das pessoas".

"Os problemas dos portugeuses não se conhecem só numa campanha eleitoral fugaz, citando Agostinho da Silva, que dizia 'O problema de Portugal são as elites porque as elites desistiram de ouvir o povo'. Comigo não é assim. Eu sempre estive próxima das pessoas, eu sempre tive tempo para as escutar."


Antes, Almeida Santos tinha discursado para assinalar o seu apoio - "desde o início" -, à candidata que, como sublinhou, foi "presidente e ministra do PS". O histórico socialista afirmou que Belém é uma candidata a sério e que se não ganhar desta vez, ganhará certamente na próxima.

"Maria de Belém revolucionou as candidaturas das mulheres portugueses às Presidenciais."