Perto das 18:00 já o trânsito de Lisboa é o que se imagina. E o PS tinha uma arruada para fazer numa avenida grande e espaçosa: a Morais Soares, originalmente o marco da CDU nas campanhas, que os outros partidos também começaram a descer. António Costa estava a jogar em casa, depois de quase oito anos a liderar a câmara.

Clima de festa. No arranque, ouviam-se os trompetes a tocar “Cheira bem, cheira a Lisboa”. Megafones e tudo. Cheirou bem, muita gente. Não uma alma de Lisboa por inteiro. O candidato a primeiro-ministro esteve à frente da câmara não em Barcelos ou Guimarães, mas na capital. A arruada de hoje esteve taco a taco com aquelas que deram novo fôlego à campanha no Minho. Não as ultrapassou.

Começou pelo passeio e foi até mais de meio da estrada, é certo. Parou o trânsito e tudo. E várias pessoas, sobretudo mulheres, iam furando o cordão para dar abraços e beijos repenicados ao líder socialista. Algumas também ao atual autarca Fernando Medina.

A mulher e a filha de António Costa acompanharam a arruada com vigor, braços erguidos e vivas ao PS e a ele próprio. A comitiva socialista ainda ponderou descer a Almirante Reis até ao próximo cruzamento, mas desistiu por causa do trânsito à hora de ponta, que seria afetado.

O ajuntamento terminou na praça do Chile. À entrada do metro, o candidato subiu para o muro, improvisando ali um púlpito para discursar. Teve algumas dificuldades técnicas, no início:
 

Depois lá entrou nos eixos, para apelar ao voto: “Até domingo temos de lutar voto a voto, porque é cada voto que conta para a maioria que o PS precisa”. Continuou o discurso dizendo que “é preciso recordar todos os dias”. De repente, de um apartamento ao lado surge música rock a alto e bom som, causando ruído. Mas António Costa prosseguiu, reforçando a necessidade do voto útil: 
 
É sempre difícil fazer comparações, mas capital é capital. Para quem nunca assistiu a uma arruada na famosa Morais Soares para as campanhas, não foi épico. Não bateu a receção em Barcelos, por exemplo. Lá em cima, já se sabe, o povo também é mais genuíno. E Costa foi levado em ombros. Em Lisboa, não aconteceu.

Uma arruada também não é o dia do Santo António, mas o clima inicial fazia lembrar. “É a ***** do país que temos. Há festa. Está tudo lá”, ouvia-se.

A reportagem da TVI24 encontrou vários indecisos ou simplesmente descrentes entre a multidão. O exemplo de uma mulher: “Vão apoiar para a horta. O meu reino é o dos céus, não a política. Costumo votar, mas desta vez não vou. Estou farta de mentiras”.  
 
Entre os apoiantes, Filomeno de Sousa, que tinha nas mãos um e-mail impresso para Costa, com o título “Sugestões e Conselhos” e um alerta: “Alguma coisa vai mal na campanha e na explicação do programa eleitoral, para as sondagens darem um empate técnico entre o PS e a coligação Portugal à Frente”.
 
O socialista encontrava-se junto ex-eurodeputada Edite Estrela, a quem perguntou “vejá lá, sôtota, se posso mostrar” para a nossa fotografia. A socialista respondeu: “Você é que sabe, você é que escreveu”. Deixou-se fotografar estava a arruada a terminar.
 


"Barreiro com Costa e Sócrates"


Depois do almoço em Setúbal, em que Costa e o ex-ministro socialista Jorge Coelho serviram em dose tripla o “ajuste de contas” com o Governo, o voto útil e o ataque à esquerda, a caravana socialista ainda passou pelo Barreiro.

Dava a impressão que havia mais bandeiras do que pessoas. Muitas com duas ou três na mão. E ainda rosas. Muitas rosas. Nada de espinhos para o líder que caminhava sorridente, acenando e levando um ou outro beijo repenicado.

Cumprimentou um trabalhador da construção em plenas funções. O homem deu-lhe o passou bem, mas não retribuiu o entusiasmo. "Em tempos fui socialista. Estou desacreditado. Ao longo dos tempos quem é que esteve no governo? Isso diz tudo”, disse depois à TVI24.
 
 
Dizem-nos pelo caminho que a “aquela história de a CDU ganhar no Barreiro é verdade só nas autárquicas e e... Mas legislativas o PS ganha sempre”. Terra de esquerda, a direita e o primeiro-ministro é que nem vê-los para Amélia Palra: “Qual Passos Coelho, só na caçarola e enquanto isto não acabar não como coelho". 

Recordou-se Sócrates, também, mas pela positiva e clamando pelo regresso:
 
 
António Costa não ouviu. Passou por duas ruas no Barreiro, terminando na sede do partido. Ia atravessando de um lado para o outro e, não raras vezes, dava de cara com a comunicação social menos identificável do que as televisões ou as rádios. “Daqui a um bocado começo a distribuir propaganda pelos jornalistas”, gracejou.