Por: Hugo Beleza | 19- 9- 2009 21: 5
Unidade interna. Esta é a nova tónica dominante da campanha do PS. Ontem, José Sócrates trocou elogios com António José
Seguro, em Braga, esta noite chegou ao pavilhão da Académica de Coimbra lado a lado com o histórico Manuel Alegre. Lá dentro,
recebeu a chancela do ex-deputado, que colocou de parte as «diferenças» entre os dois, para afirmar que «o essencial é derrotar
o PSD». Nesta altura, mais do que o discurso do líder «rosa», parece contar o Sócrates iconográfico, que aparece na fotografia
junto de alguns dos principais críticos no partido.
As «diferenças de opinião», disse Alegre, «não é o que está em
causa, neste momento». «O que está em causa são os direitos sociais consagrados nas Constituição da República», defendeu depois
o histórico, entregando a José Sócrates o que o líder foi buscar a Coimbra: «Eu estou aqui para afirmar a unidade do PS no
essencial e o essencial é derrotar o PSD».
Não foi um discurso de elogios. Foi o discurso de uma «esquerda possível»,
contra «o regresso deste PSD». «Seria uma regressão na economia, nas políticas públicas, nos direitos sociais e na qualidade
da democracia, porque a lógica do Estado mínimo, a retirada do Estado das políticas sociais traz consigo uma lógica de asfixia
social e com asfixia social, sim, é que há asfixia democrática», frisou Manuel Alegre.
E no centro da diferença
de visões, o socialista colocou o Serviço Nacional de Saúde (SNS), numa noite em que discursou Ana Jorge, ministra da Saúde
e cabeça de lista-do-PS no distrito, que prometeu que se os socialistas vencerem, daqui a quatro anos haverá médicos de família
para todos os portugueses.
«O SNS é a diferença entre PS e PSD», apontou Alegre. «Mas há mais: o investimento público,
a posição do Estado nas politicas públicas sociais, no combate às desigualdades, ao desemprego é a diferença entre o PS e
o PSD, a lei da paridade é a diferença entre o PS e o PSD, a lei do divórcio é a diferença entre o PS e o PSD, a interrupção
voluntária da gravidez é a diferença entre o PS e o PSD».
José Sócrates, por sua vez, não escondeu o jogo: «Este
grande comício do PS também simboliza a forma como o PS está nesta campanha. O PS está aqui em profunda unidade, está aqui
todo o PS».
«Venho aqui, a Coimbra, apelar à concentração de votos no PS», reforçou, invocando várias figuras do
partido, desde Mário Soares, a Jorge Sampaio e António Arnault. Mas também Manuel Alegre. «O PS de Manuel Alegre», apontou,
dando a ideia do partido como o resultado de um fio condutor, mesmo se assente em diversas visões.
Campanhas
cruzadas
O dia de José Sócrates começou em Coimbra, com uma arruada
no centro da cidade, na mesma rua onde estivera uma hora antes Manuela Ferreira Leite.
Depois partiu para
a Figueira da Foz para um almoço com apoiantes, antecedido por uma resposta às novas críticas sobre «asfixia democrática»
de Ferreira Leite. José Sócrates colou o discurso da líder social-democrata, sobre os imigrantes, ao da extrema-direita de países onde existem comunidades emigrantes portuguesas.
De seguida,
foi para Coimbra, com duas paragens pelo meio - em Granja do Ulmeiro, Soure, e em Pereiro do Campo, Montemor-o-Velho -, onde
fez duas intervenções. Após o comício, jantou com apoiantes na Mealhada.
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