O presidente da Câmara do Porto, Rui Moreira, afirmou, esta terça-feira, que sanou com o vereador militante do CDS-PP, Manuel Sampaio Pimentel, «incidentes» como o que sucedeu, sendo exclusivamente sua a decisão de o manter em funções no executivo autárquico.

«Após o regresso de férias do vereador, esclareci com o próprio o teor e motivação das suas declarações [publicadas na sua página no Facebook], tendo o assunto ficado sanado. Decidi, por isso, mantê-lo em funções, decisão que tomei sozinho e sem a influência de qualquer partido político ou voz estranha à governação da Câmara Municipal do Porto», refere, em comunicado enviado à Lusa, Rui Moreira.

A concelhia do CDS/Porto garantiu na segunda-feira que o vereador Sampaio Pimentel vai manter os seus pelouros na Câmara do Porto e, para o efeito, conta com o apoio de todo o executivo.

A nota do CDS-PP/Porto surgiu depois de várias notícias que indicavam a eventual retirada de pelouros a Sampaio Pimentel, responsável pela Fiscalização e Proteção Civil na Câmara do Porto.

Rui Moreira admite que «incidentes ¿ felizmente pouco pontuais ¿ como que o sucedeu sejam próprios de um executivo que agrega diferentes sensibilidades e que valoriza a liberdade de opinião e a diversidade de pontos de vista». Contudo, refere que «ficou claro que essa diversidade e a liberdade de expressão não podem nunca pôr em causa o superior interesse dos portuenses e a coesão do projeto que todo o executivo partilha».

Moreira acrescenta que, depois de o assunto estar resolvido com o vereador, decidiu comunicar a sua decisão à concelhia do CDS-PP, «órgão daquele partido que decidiu apoiar a candidatura independente» do autarca.

«Esse sinal de respeito não deverá, contudo, ter qualquer outra leitura política que não a de que o presidente da Câmara do Porto respeita as forças políticas e é grato, em especial, aos que, ao seu lado, lutaram por um projeto para o Porto nas últimas eleições autárquicas», sublinha.

O independente recorda que «o CDS-PP não concorreu às eleições autárquicas no Porto», em setembro do ano passado, e, como tal, não possui qualquer vereador no seu executivo.

«O vereador Manuel Sampaio Pimentel, apesar de ser militante do CDS-PP, não é, por isso, vereador do CDS-PP, mas sim vereador eleito na lista independente 'Rui Moreira: Porto, o Nosso Partido¿, de que foi apoiante de primeira hora, muito antes de o CDS-PP ter declarado o seu apoio», sustenta.

Rui Moreira adianta ainda que, «sejam quais forem os incidentes, notícias ou factos políticos que em torno da governação da Câmara Municipal do Porto se vão criando, os portuenses sabem» que se baterá sempre «pelo melhor interesse da cidade e dos seus cidadãos», garantindo que tudo fará para que o seu programa eleitoral seja cumprido, pois é esse o seu «compromisso e dever».

«São, por isso, os portuenses os únicos com autoridade democrática para avaliar o cumprimento do nosso programa, pois é apenas com eles que estamos comprometidos», conclui.

A edição de quinta-feira do jornal Público avançava que o presidente da Câmara do Porto podia retirar os pelouros a Sampaio Pimentel, que ocupou o número dois da lista do candidato independente.

Manuel Sampaio Pimentel manifestou em vários momentos divergências em relação a dossiês da autarquia, nomeadamente depois de classificar como «o grau zero da dignidade humana» as salas de chuto que o gabinete de Rui Moreira admitiu criar no âmbito de um programa de combate à toxicodependência, bem como ao novo diretor artístico do Teatro Rivoli.

No dia 13, o líder da distrital do CDS/Porto, Álvaro Castello-Branco, acusou de «arrogância» e «ignorância» o recém-nomeado diretor artístico do Teatro Rivoli, Tiago Guedes, por este fazer «considerações políticas» enquanto trabalhador «avençado da câmara».