O ex-autarca Isaltino Morais considerou ser "necessária, positiva e da maior urgência" a abertura do inquérito ao juiz que rejeitou a sua candidatura à Câmara de Oeiras, já anunciada pelo Conselho Superior da Magistratura, e atacou a mulher do magistrado, revelando que teve conhecimento que esta trabalha no laboratório dos Serviços Intermunicipalizados de Oeiras e Amadora.

O Conselho Superior da Magistratura anunciou, esta quarta-feira, que vai abrir um inquérito "para cabal apuramento da situação", sobre a alegada relação entre o juiz Nuno Cardoso e Paulo Vistas, o atual presidente da câmara de Oeiras e candidato a um novo mandato nas eleições de 1 de outubro.

Em conferência de imprensa na terça-feira à noite, após a rejeição da candidatura do movimento "Isaltino - Inovar Oeiras de Volta, Isaltino Morais" garantiu que "cumpriu escrupulosamente a lei" e questionou a imparcialidade do juiz por "relações de amizade ou familiares" a Paulo Vistas, que, segundo disse, foi padrinho de casamento do magistrado.

Na sequência da posição do Conselho Superior da Magistratura, a candidatura de Isaltino Morais considerou a abertura do inquérito um "passo natural, face ao que já é publicamente conhecido da relação próxima entre o candidato Paulo Vistas e o juiz Nuno Cardoso, bem como ao muito que, ao que parece, falta ainda conhecer desta relação".

"Mesmo hoje, tomámos conhecimento que a mulher do Juiz Nuno Cardoso, Catarina Isabel Macedo Cardoso, trabalha, desde o mês de maio deste ano, no laboratório dos Serviços Intermunicipalizados de Oeiras e Amadora, aprofundando a perplexidade da teia de relações entre as partes desta história", lê-se num comunicado da candidatura.

A candidatura de Isaltino Morais acrescentou que aguarda "serenamente" ser chamada a depor em sede de inquérito, sublinhando que "um inquérito apenas é rigoroso quando ouve todas as partes, nada se pode concluir ouvindo apenas uma das partes envolvidas".

As 31.000 assinaturas recolhidas pelo candidato do movimento "Isaltino - Inovar Oeiras de Volta" foram entregues na semana passada, mas um despacho do juiz Nuno Cardoso refere que não estão devidamente identificados os candidatos apresentados na lista, pelo que a candidatura foi rejeitada. Isaltino Morais anunciou na terça-feira que vai recorrer da decisão.

Paulo Vistas: "O meu carácter foi atacado de forma leviana"

Paulo Vistas reagiu aos ataques feitos por Isaltino Morais através de um comunicado divulgado no Facebook. O candidato à Câmara de Oeiras afirma que "na política, como na vida, a gratidão é um dever" e que foi "difamado pela mesma pessoa a quem, no passado, sempre" manifestou "solidariedade e respeito".

"Infelizmente, por factos que me são totalmente alheios, o meu carácter foi atacado de forma leviana sem qualquer verdade ou fundamento. Fui difamado pela mesma pessoa a quem, no passado, sempre manifestei solidariedade e respeito. Fui atacado na minha honra pela mesma pessoa por quem, durante anos, batalhei por defender a sua. Uma decisão judicial não pode justificar a leviandade das insinuações ontem feitas por um dos candidatos à CM de Oeiras", escreve Paulo Vistas.

O candidato acrescenta ainda que "a seriedade e o carácter dos magistrados só "pode" ser posta em causa por quem já perdeu todos os argumentos legais". 

"É esta forma mesquinha de estar na vida que, ao longo dos anos, tem afastado os cidadãos da política. Não pode valer tudo. As amizades honram a nossa vida, mas a independência profissional está acima delas e definem o nosso carácter e dignidade. Para mim este princípio é claro, mas se para outros é uma novidade, fico surpreendido!", pode ler-se no comunicado.