O ministro da Presidência, Luís Marques Guedes, defendeu esta quinta-feira, a propósito das buscas realizadas na quarta-feira no Ministério das Finanças, que o Governo PSD/CDS-PP ganha credibilidade ao não obstruir a justiça, alegando que nem sempre foi assim no passado.

Em conferência de imprensa, no final do Conselho de Ministros, Luís Marques Guedes referiu que, segundo as informações de que o executivo PSD/CDS-PP dispõe, essas buscas "não têm que ver com os vistos 'gold'", mas "com um processo relacionado com o IVA", e envolveram "um computador de um colaborador do senhor secretário de Estado dos Assuntos Fiscais", Paulo Núncio.

Remetendo "qualquer pormenor adicional" sobre este assunto para o Ministério das Finanças, o ministro da Presidência considerou:

A credibilidade deste Governo só sai acrescentada de cada vez que os portugueses percebem que a lei passou a ser igual para toda a gente e que a justiça age de uma forma perfeitamente independente, e que aquilo que cabe aos responsáveis da Administração Pública, mesmo a nível governamental também, é a total colaboração, a total disponibilidade para colaborar com a justiça".


"Eu acho que isso só credibiliza a ação do Governo", reforçou o ministro da Presidência e dos Assuntos Parlamentares. "Não foi sempre assim no passado", alegou.

Marques Guedes ressalvou que "a colaboração com a justiça não é à partida uma condenação, nem é um reconhecimento de qualquer tipo de culpa".

Em resposta aos jornalistas, o ministro da Presidência enquadrou as buscas realizadas na quarta-feira "no âmbito de uma investigação policial que tem que ver com um processo relacionado com o IVA" e referiu que "a Polícia Judiciária entendeu ter de consultar ou obter dados de um computador de um colaborador do senhor secretário de Estado dos Assuntos Fiscais".

Isto é "aquilo que o Governo sabe, precisamente porque o Governo hoje em dia não interfere na justiça", frisou o ministro, acrescentando: "E a disponibilidade para esse computador ou qualquer outro computador da parte do Governo não pode deixar de ser outra senão disponibilidade total. Foi isso que foi feito".

"Acho que isto acrescenta credibilidade, e não que retira credibilidade", concluiu, sustentando que "a credibilidade ganha-se exatamente por não obstruir a justiça, por colaborar com a justiça e por estar sempre disponível para apurar a verdade e fazer com que a lei de facto seja igual para todos os cidadãos e para todas as entidades".