O primeiro-ministro considerou esta quarta-feira em visita ano terreno, onde esta quinta-feira, morreu mais uma bombeira, que a sequência de incêndios na Serra do Caramulo foi «azarada».

Em declarações aos jornalistas o primeiro-ministro lembrou que nem todas as «situações são iguais» e que a «sequência na serra do Caramulo é azarada».

«Quero enaltecer o trabalho que todos os bombeiros têm vindo a realizar e que tem sido extraordinário, assim como todo o trabalho de coordenação e planeamento, seja por parte dos bombeiros, proteção civil, câmaras e juntas de freguesias que têm estado muito envolvidas», sustentou.

No final de uma conversa com o posto de comando, montado no posto de vigia da Serra do Caramulo, o primeiro-ministro lamentou a morte da jovem bombeira de 21 anos, que durante a manhã perdeu a vida no combate ao incêndio que deflagrou em Muna, na freguesia de Santiago de Besteiros, concelho de Tondela.

«É outra situação trágica, que traz sempre um peso, mesmo do ponto de vista psicológico para todos aqueles que estão a dar o seu melhor no combate aos incêndios», alegou.

Passos Coelho sublinhou ainda que a Serra do Caramulo tem sido «realmente um pouco azarada» devido à sequência de incêndios que se têm registado.

«O que está agora a lavrar teve uma progressão extremamente rápida, em consequência sobretudo de circunstâncias muito especiais que têm a ver com a particularidade dos ventos que se mostraram bastante adversos», apontou.

O chefe do Governo frisou ainda que os meios que têm sido alocados para esta situação são mais do que invulgares, não podendo atribuir-se a sua progressão à falta de meios.

«Este incêndio em particular teve origem numa intervenção menos cuidada de alguém que involuntariamente provocou este acidente», acrescentou, aproveitando a ocasião para apelar as pessoas a terem mais cuidado de forma a «evitarem situações desta natureza».

Apontou ainda o número elevado de detenções de incendiários que se têm vindo a registar, esperando que venham a desincentivar comportamentos criminosos, que têm estado na origem de muitas ignições em simultâneo.

Passos Coelho disse que, apesar de ainda não ter havido situações tão nefastas como no ano passado, dando como exemplo o caso do Algarve, se dará resposta se algo semelhante vier a acontecer.

«Se uma situação muito especial ocorrer, é evidente que não poderemos deixar de estar atentos e, se for necessário, acrescentar alguma decisão às que já tomarmos», concluiu.

No local esteve também o ministro da administração Interna, Miguel Macedo, que avançou um reforço na sexta-feira dos meios pesados à semelhança do que aconteceu hoje.

Miguel Macedo destacou o esforço que os bombeiros vêm fazendo, admitindo um evidente desgaste do dispositivo que tem milhares de homens empenhados em todo o país.

O primeiro-ministro recusou ainda comentar o chumbo do Tribunal Constitucional do regime da mobilidade na Função Pública.

«Não é aqui, nesta circunstância, que referirei a decisão do TC. Não conheço o acórdão, é preciso inteirar-me dos fundamentos. Haverá um tempo próprio para fazer essa resposta»