O PCP anunciou esta sexta-feira que vai enviar um requerimento ao Parlamento a questionar as políticas de prevenção de fogos e a pedir para ter acesso aos relatórios de investigação, defendendo a resolução da «questão-chave» do ordenamento florestal.

«O grupo parlamentar do PCP vai apresentar um requerimento para questionar e contribuir para que sejam tomadas as medidas, quer de prevenção quer as outras, que permitam evitar no futuro estas situações [os frequentes fogos florestais]», afirmou Francisco Pereira, membro do Comité Central do PCP.

Num comunicado hoje divulgado, os comunistas defendem ser «necessário e urgente que sejam conhecidos os relatórios das investigações dos incêndios» e «que sejam divulgados, como medida pedagógica, os relatórios da investigação dos acidentes com viaturas de bombeiros que se dirigiam, regressavam ou estavam nos incêndios».

Para Francisco Pereira, «é necessário investir-se muito mais na prevenção do que se tem feito».

«Consideramos que é mesmo necessário inverter a lógica que tem presidido às políticas em relação a este aspeto. Em vez de se investir na prevenção, tem-se centrado tudo no combate aos fogos», afirmou.

O dirigente comunista sublinhou ainda que «o ordenamento florestal é uma questão-chave, que há anos que anda a patinar e que é absolutamente necessário resolver» e deu exemplos.

«O abandono da agricultura, do interior do país, a necessidade de limpeza da floresta e das matas, a existência de terrenos agrícolas que sirvam de tampão aos fogos, o tratamento dos caminhos rurais (abertura de novos e manutenção dos existentes) e o tratamento dos inertes combustíveis, que nestas situações acabam por ser dramaticamente preocupantes» são algumas das matérias a tratar.

O membro do Comité Central do PCP lembrou ainda que «foram reduzidos os postos de vigia, em 2012», e que «acabaram com os sapadores florestais» e pediu que «se avalie se o tempo e o tipo de formação são os necessários para tão exigente e arriscada missão».

É imprescindível que o Governo «assegure que a todos os homens e mulheres que vão combater os fogos será disponibilizado o seu equipamento de proteção individual» e que sejam tomadas medidas de apoio às populações afetadas, «para colmatar os prejuízos materiais».