Depois das palavras polémicas desta quinta-feira de manhã, em que prometeu “bofetadas” a cronistas, João Soares foi parco em palavras a abordar o tema ao longo do dia. Foi também por escrito, desta vez por mensagem de SMS, que o ministro da Cultura reagiu aos comentários à sua publicação no Facebook e que já motivaram pedidos de demissão do responsável pela Cultura.

Sou um homem pacífico, nunca bati em ninguém. Não reagi a opiniões, reagi a insultos. Peço desculpa se os assustei", escreveu João Soares na SMS à Lusa. 

Horas antes, na rede social, o ministro escreveu:

Em 1999 prometi-lhe publicamente um par de bofetadas. Foi uma promessa que ainda não pude cumprir. Não me cuzei com a personagem, Augusto M. Seabra, ao longo de todos estes anos. Mas continuo a esperar ter essa sorte. Lá chegará o dia.”

João Soares reagia assim a um artigo opinião do cronista do jornal Público, publicado na quara-feira. Augusto M. Seabra disse que o “’tempo novo’ é na cultura apenas o “tempo velho” dos hábitos socialistas”.

Direita critica, Esquerda em silêncio

A reação do ministro ao artigo de opinião despoletou, por parte de um deputado social-democrata, a exigência da sua demissão, mas o PSD não vai tão longe. O CDS também já expressou a sua indignação com as palavras do ministro socialista.

"O CDS considera lamentável o comportamento do senhor ministro da Cultura, doutor João Soares", afirmou o deputado do CDS-PP, António Carlos Monteiro, numa breve declaração no Parlamento, que a Lusa cita. O deputado sublinhou que “não é legítimo é um ministro da República reagir às críticas com ameaças de confronto físico".

O mínimo que se pode exigir é um pedido de desculpas", frisou.

Também o deputado do PSD, Hugo Soares, falando em nome do PSD, criticou as afirmações do ministro da Cultura, mas não pediu a demissão do governante.

"Consideramos as declarações do ministro João Soares verdadeiramente inqualificáveis. São inqualificáveis tanto mais porque demonstram o padrão do PS na reação às críticas legítimas que lhe são feitas", afirmou Hugo Soares, em declarações aos jornalistas, no Parlamento.

Questionado se o PSD acompanha a posição do deputado social-democrata, Sérgio Azevedo, que defendeu, na sua página pessoal de Facebook, a demissão do ministro da Cultura, Hugo Soares afirmou que as opiniões pessoais dos colegas deputados "são opiniões que não vinculam o Partido Social Democrata".

 

Um ministro (sim com m pequeno, minúsculo) que promete "bofetadas" a um crítico, para além de ser um tipo pequenino, só tem um caminho: a demissão!

Publicado por Sergio Azevedo em Quinta-feira, 7 de Abril de 2016

Contactado pela agência Lusa, o adjunto do ministro da Cultura, Horácio César, disse que o gabinete não fazia qualquer comentário sobre a situação. Nem a Esquerda, nem o Governo se pronunciaram publicamente, até ao momento, sobre esta declaração do ministro da Cultura, mas, nas redes sociais, alguns manifestaram a sua opinião.

Em defesa de João Soares levantaram-se, no entanto, vozes do PS, como o deputado Ascenso Simões.

 

O deputado do BE, João Soeiro, foi coloquial.

 

Umas bofetadas? O homem passou-se...

Publicado por José Soeiro em Quinta-feira, 7 de Abril de 2016

E, o deputado bloquista, com humor, ainda acrescentou este post durante a tarde, que motivou, por seu turno, a crítica da realizadora Raquel Freire: “Gostava era que o bloco se preocupasse com o orçamento para a cultura. detesto política show of”.

 

banda sonora do dia de hoje.

Publicado por José Soeiro em Quinta-feira, 7 de Abril de 2016

O post de João Soares, leva, por esta altura, mais de 1100 partilhas e quase mil comentários.

Em 1999 prometi-lhe publicamente um par de bofetadas. Foi uma promessa que ainda não pude cumprir. Não me cuzei com a...

Publicado por João Soares em  Quarta-feira, 6 de Abril de 2016

Como reagiram os visados das “bofetadas”

Aproveitando o post na rede social, João Soares insurgiu-se ainda contra outro cronista do jornal, Vasco Pulido Valente, que, em inícios de março, numa coluna de opinião e a propósito do caso CCB, escreveu: “Como o dr. João Soares muito bem sabe, não tenho por ele qualquer respeito nem como homem, nem como político”.

“Estou a ver que tenho de o procurar, a ele e já agora ao Vasco Pulido Valente, para as salutares bofetadas. Só lhes podem fazer bem. A mim também”, escreveu, no final da publicação, João Soares. 

Contactado pela Lusa, Vasco Pulido Valente disse apenas uma frase:

Cá fico à espera das bofetadas".

Para o colunista do Público, Augusto M. Seabra, a reação de João Soares "atenta contra a liberdade de expressão e os direitos constitucionais dos cidadãos".

Augusto M. Seabra considerou "inqualificável que, para além da ameaça de agressão física, para mais vinda de um ministro, tenha usado as redes sociais para responder, dessa forma, àquilo que é um exercício legítimo de um texto de opinião".

Afinal, o que é que escreveu o cronista do Público

O programador cultural, Augusto M. Seabra, escreveu, na edição de quarta-feira do Público, que “a nomeação de João Soares para ministro da Cultura foi uma surpresa que permanece inexplicável já que passados quatro meses não afirmou uma linha de ação política, tão só um estilo de compadrio, prepotência e grosseria. De resto, não tinha qualificações particulares para o cargo”.

Augusto M. Seabra acusou “o gabinete de Soares” de ser “uma confraria de socialistas e maçons” e deste favorecer o “amiguismo”.  

O cronista deixou ainda críticas às mudanças no CCB, considerando que António Lamas foi “substituído de modo grosseiro”, tal como se questionou sobre “a esdruxula nomeação de alguém reticente à arte contemporânea, Pacheco Pereira, para administrador por parte do Estado de Serralves, Museu de Arte Contemporânea”.