A coordenadora do BE desvalorizou Esta terça-feira as garantias do líder parlamentar do PSD de que não vêm aí mais cortes nos rendimentos, argumentando que a palavra dada pelos sociais-democratas aos portugueses «nunca vale tanto» como a dada à troika.

«Aquilo que Luís Montenegro diz hoje nós não sabemos o que significa. Temos a certeza, sim, que aquilo que o PSD diz aos portugueses nunca vale tanto como aquilo que diz à troika. Precisamos de esperar para ver qual é o acordo que está a ser feito por este Governo», afirmou Catarina Martins.

Numa conferência de imprensa sobre pobreza, na sede do BE, Catarina Martins sublinhou que «o PSD quando foi eleito tinha dito em campanha eleitoral que não ia cortar salários, que não ia cortar subsídios e fez tudo aquilo que disse que não faria».

«Foi assim que Pedro Passos Coelho se apresentou às eleições e todas as pessoas sabem o que isso significou», disse.

Por outro lado, a coordenadora bloquista argumentou que «há muitas formas de fazer cortes». «Há cortes dos salários por via do aumento de impostos e há cortes nos salários por via da diminuição de salários. Há cortes nos rendimentos do trabalho por via dos cortes nas pensões, há cortes quando as pessoas têm de pagar mais de taxa moderadora, ou mais pela luz ou pela água. Há também cortes quando há despedimentos», sustentou.

Segundo Catarina Martins, «o PSD antes das eleições apresenta sempre uma tentativa de compreensão social, de necessidade de acorrer àqueles que estão em maiores necessidades, e depois, nas suas medidas, tem vindo a desproteger sempre quem está mais frágil e tem vindo sempre a cortar salários, rendimentos».

PS pede «jogo limpo»

O vice-presidente da bancada do PS José Junqueiro exigiu ao Governo e ao PSD que «joguem limpo» e esclareçam quem fala verdade sobre a preparação de mais cortes nos salários e pensões. «Os factos estão aí, o líder parlamentar diz que não há cortes, o Governo diz que há cortes, diz até qual o montante previsível desses cortes, o comentador oficial do Governo na televisão, o doutor Marques Mendes, já tinha referido esses cortes alguns dias atrás. Jogo limpo tem de ser feito, mas é dentro do próprio Governo e do próprio PSD», afirmou José Junqueiro, em declarações aos jornalistas no Parlamento.

Reagindo às declarações do líder parlamentar do PSD, Luís Montenegro, que pediu a todos os agentes políticos, em concreto ao PS, para «jogar limpo» no debate partidário, assinalando que «não é verdade que venham aí mais cortes de salários e pensões», o vice-presidente da bancada socialista devolveu o repto, desafiando os sociais-democratas e o executivo de maioria PSD/CDS-PP a esclarecerem «quem está a falar a verdade».

Pois, referiu, tanto o primeiro-ministro como a ministra das Finanças já disseram que vão fazer um ajustamento que variará entre 1.500 e 2 mil milhões de euros e que «até abril esses cortes vão ser feitos».

«Portanto, o que nós queremos é saber quem está a falar verdade, na justa medida em que o líder parlamentar do PSD vem dizer que esses cortes não vão acontecer, que não haverá cortes nos salários, nas pensões, nos rendimentos das pessoas e até pede que se faça jogo limpo», sublinhou.

«Alguém está a faltar a verdade e o que nós queremos saber com clareza é quem é que fala verdade, é o líder parlamentar do PSD ou é o primeiro-ministro? Há cortes ou não há cortes?», questionou José Junqueiro, falando na existência de uma «divergência insanável» entre o Pedro Passos Coelho e Luís Montenegro.