O Bloco de Esquerda acusou, esta terça-feira, o PSD de tentar branquear a gestão que o Governo fez do dossiê dos swaps e de esconder as contradições da ministra das Finanças na proposta de relatório final da comissão de inquérito.

O Bloco de Esquerda acusa o PSD de deixar de fora a atuação do atual Governo, suportado pela maioria parlamentar PSD/CDS-PP, das conclusões e diz que este está construído de forma a branquear as responsabilidades do executivo neste processo.

«As conclusões deste anteprojeto apresentado pelo PSD refletem um branqueamento da atitude do Governo neste processo. O PSD vem justificar todos os passos do Governo na gestão do dossiê swaps. Não há uma palavra sobre as contradições da ministra [das Finanças] ao longo das várias audições, na forma como a ministra veio sempre recuando nas informações que disse ter, não há uma palavra sobre os custos do cancelamento dos swaps para o erário publico», acusa a deputada do BE Maria Mortágua.

A deputada bloquista diz que também foi deixado de fora do anteprojeto de relatório final a possibilidade de anular os contratos especulativos, lembrando que a comissão teve acesso a pareceres jurídicos que os classificavam como tal e aconselhavam mesmo a sua anulação.

«Essa informação não está refletida nas conclusões que agora são apresentadas pelo PSD, o que encontramos é um branqueamento total daquela que foi a gestão do Governo deste processo», disse.

O BE critica ainda a postura do PSD na apresentação do relatório, que obrigou mesmo ao adiamento da discussão na comissão do anteprojeto de relatório final.

O PSD devia ter entregado à comissão e disponibilizado aos restantes grupos parlamentares o documento ainda esta segunda-feira, mas o processo atrasou-se e fez uma apresentação pública do mesmo antes de os deputados receberem o relatório.

O BE entende que o PSD está desta forma a tentar condicionar as conclusões da comissão e fez um protesto na reunião de coordenadores que hoje se realizou. A análise do documento na comissão foi adiada, já que não houve tempo para analisar com detalhe as mais de 400 páginas do documento.

Os bloquistas garantem ainda que irão propor alterações ao relatório para que este reflita «aquilo que realmente se passou da forma mais transparente possível», incluir as diversas opiniões que foram apresentadas na comissão, as contradições da ministra e todas as falhas apontadas.