"O PS é o meu partido do coração, sou mesmo militante do PS com quotas em dia e com todo o gosto, que Deus nosso senhor, esteja do nosso lado. Só tenho pena de uma coisa:  que não se possam aliar e juntar ao PS. Se eles estão com 4% de avanço do PS imagine nós juntos". No último dia de campanha eleitoral, Catarina Martins andou pelas ruas históricas do Porto, cidade onde está em casa. Aqui, pela zona da Sé, conheceu Sílva, conhecida como "Sílvia da Maria Preta", uma portuense que desejava que a esquerda se unisse como fazem lá no bairro "um por todos, todos por um".

Quando viu a porta-voz do Bloco de Esquerda, Sílvia não hesitou em demonstrar que é socialista "do coração". Nem tão pouco em atacar a direita sem papas na língua. Está a par do que dizem as sondagens.

"Pelas sondagens que estão a dar vai à frente o PSD que está a fazer coligação com o maior gatuno que a gente tem, que é o Paulo Portas. Isto dos submarinos ninguém os engoliu ainda. Para eles passou mas para nós não. Os ladrões dão-se com os gatunos. Passos é um grande gatuno que aí anda, que cada vez está a fazer pior. "


Diz que é "vendedeira ambulante" aqui no mercado da Sé. O negócio vai mal e os encargos familiares são muitos.

"Temos dias aqui que não apuramos cinco euros, tenho um filho com 28 anos que emigrou e que deixou-me aqui uma menina com nove anos e um menino com quatro anos, tenho um irmão com Trissomia 21, que os meus pais já morreram.  Nó aqui não temos oportunidades de nada."


Por tudo isto, queria ver a direita derrotada e tem pena que " a esquerda esteja dividida". 

O apelo sentido esta manhã no Porto serviu de mote para Catarina Martins voltar a lembrar o desafio que fez, "olhos nos olhos" a António Costa e as "linhas vermelhas" do Bloco de Esquerda para haver um diálogo com os socialistas: as pensões, o regime conciliatório e a descapitalização da Segurança Social.

"As condições são claras, não aumentaram nem diminuíram."

Sobre uma eventual cedência nalgum destes três pontos, Catarina Martins não tem dúvidas; "Quem vota no Bloco de Esquerda tem de ter a segurança que o seu voto é de confiança e, portanto, quem vota no Bloco de Esquerda sabe que o o Bloco não faltará à solução de um Governo que rompa com a austeridade."