Demorou mais de uma década a ser reconstruído. O investimento, de 2,8 milhões de euros, implicou o envolvimento de toda a comunidade. O Palácio do Bolhão, um edifício esplendoroso do sécuilo XIX, em pleno centro degradado do Porto, abriu portas em março e esta quinta-feira recebeu o Bloco de Esquerda. Hoje, no Dia Mundial da Música, os bloquistas assinalaram "este bom exemplo" e criticaram as políticas de apoio ao setor das artes e da cultura.

O edíficio, localizado na Rua Formosa, muito perto do Mercado do Bolhão, acolhe a Academia Contemporânea do Espetáculo, que se desdobra em duas cooperativas: a companhia de teatro e a escola de artes. As salas mostram a imponência do edifício, com majestosas gravuras nos tetos muito altos.

O Bloco de Esquerda, liderado por Catarina Martins e José Soeiro, os números um e dois pelo distrito do Porto, começaram a visita a este espaço já passava do meio dia. Para recebê-los, estava um grupo de alunos da Academia.

Alinhados em duas filas, rapazes atrás, raparigas à frente, cantaram para os bloquistas a "Canção do Soldado (No Cerco do Porto)", de Adriano Correia. Uma canção "sobre igualdade e esperança".

"Já o rouxinol cantou / Tomai o nosso estandarte/ No seu sangue misturado / Já não há desigualdade./ No seu sangue misturado/ Já não há desigualdade."


"A cultura e a arte continuam a ser do melhor que o país tem. Naquelas vozes jovens, que transportam toda a memória, está a nossa capacidade de fazer melhor", disse Catarina Martins.

Agora, o Palácio do Bolhão é "uma casa viva, um centro artístico", conta um dos diretores da Academia, Pedro Aparício. Mas por detrás deste projeto, está uma longa luta que implicou esforço e persistência. Catorze anos foi o tempo necessário para o sonho se concretizar.   "É o paradigma do que custa construir um projeto de educação e cultura em Portugal: 14 anos ", atirou Pedro Aparício.

A candidata às legislativas não tem dúvidas: "A cultura em Portugal tem sido muito maltratada. O apoio às artes foi cortado em 75%. Nenhum setor teve um corte tão brutal no nosso país. O ataque à cultura tem sido uma forma  de impor a resignação como política única."

"Um país que não tem uma política cultural pública é um país que não conhece a sua memória." 

O Bloco quer, por isso, um maior apoio à cultura em Portugal. Um apoio "no sentido mais fundamental do termo", que possa "garantir que toda a população tem acesso à cultura, que pode ter contacto com a arte contemporênea, que o conhecimento é de todos e de todas", defendeu Catarina Martins. Para o partido, esse "é um passo essencial para resgatar o futuro de Portugal".

Com um teatro em cenário de campanha, Catarina Martins, atriz de profissão, garantiu que o palco em que se sente bem é aquele "em que tem convicção, em cada momento". E no domingo, é no palco do Cinema São Jorge, que a líder do BE espera poder brilhar.