A deputada do BE Mariana Aiveca destacou hoje a proliferação do trabalho precário em Portugal, comentando dados do Banco de Portugal (BdP), que estimou um crescimento da economia de 0,9%, 0,1 pontos percentuais abaixo das previsões do Governo.

«Seis em cada 10 postos de trabalho criados são precários, são estagiários, são contratos Emprego Inserção. Aquilo que o BdP hoje nos diz vem em linha com aquilo que o BE tem vindo a afirmar relativamente aos dados do emprego», afirmou, nos Passos Perdidos do Parlamento, lembrando a auditoria pedida pelos bloquistas ao Tribunal de Contas em relação a estágios profissionais e outras modalidades de ocupação praticadas no setor público.


A instituição liderada por Carlos Costa anunciou que o emprego do setor privado está a recuperar desde o terceiro trimestre de 2013, mas que essa recuperação é "mais moderada do que a sugerida pelo Inquérito ao Emprego".

«As pessoas têm direito a ter um emprego, lutam por isso, e faz parte da sua dignidade enquanto cidadãos serem pagos, bem pagos, por esse emprego. Os estágios profissionais, como bem sabemos, são pessoas que ocupam postos de trabalho que são permanentes e, como tal, deviam ter esse direito», continuou Mariana Aiveca.


O banco central calculou que os trabalhadores por conta de outrem «estarão a crescer no terceiro trimestre de 2014 cerca de 2,5% em termos homólogos», previsão que contrasta com os números do Inquérito ao Emprego, divulgado pelo Instituto Nacional de Estatística, que aponta para um crescimento homólogo de 6% neste período.

«A economia continua a crescer»

Por sua vez, o CDS-PP congratulou-se com os dados «muito positivos» das exportações portuguesas, que aumentaram 9,4% em outubro face ao mês homólogo, sublinhando que se trata de resultados «muito melhores do que algumas previsões» antecipavam.

«A economia continua a crescer, as exportações continuam a crescer muito melhor do que quaisquer previsões que estavam anunciadas», afirmou o deputado do CDS-PP Hélder Amaral, em declarações aos jornalistas no Parlamento.

Referindo-se aos dados divulgados esta manhã pelo Instituto Nacional de Estatística, que revelam que as exportações aumentaram 9,4% em outubro face ao mês homólogo, obtendo o melhor desempenho dos últimos 12 meses, com o contributo decisivo das vendas para fora do espaço comunitário que cresceram 18,3%, Hélder Amaral destacou o aumento das exportações para os mercados tradicionais e conquista de novos mercados, falando em «dados bem positivos».

«São notícias muito positivas, muito boas e muito animadoras, estamos no trimestre de agosto a outubro a crescer 4%. É de facto muito relevante este crescimento [das exportações], porque significa que estamos a consolidar crescimento», frisou, notando que o aumento das exportações para o mercado comunitário é de 5,5% e o crescimento no mercado extracomunitário foi de 18,3%.


Questionado sobre o alerta do Banco de Portugal de que a estratégia orçamental prevista para 2015 comporta «riscos de execução não negligenciáveis», tendo em conta a «incerteza associada ao cenário macroeconómico» e as «limitadas» medidas de consolidação do lado da despesa, Hélder Amaral não respondeu, alegando que prefere falar dos dados «muito positivos» das exportações.

Relativamente ao estudo divulgado esta quarta-feira que revela que o peso da economia paralela em Portugal subiu ligeiramente em 2013 para o valor recorde de 26,81% do PIB, equivalente a 45,9 mil milhões de euros ou 60% do empréstimo pedido à ‘troika', o deputado do CDS-PP reconheceu que os dados nem sempre são positivos e que se trata de avisos que «merecem ser escutados, estudados e merecerem uma reflexão».

«É necessário repor salários»

O PCP defendeu esta quarta-feira que o motor da economia é a procura interna, considerando que as novas previsões do Banco de Portugal revelam que «o crescimento económico será anémico nos próximos anos».

Em declarações aos jornalistas a propósito do Boletim Económico do Banco de Portugal e dos dados sobre as exportações divulgados esta manhã pelo Instituto Nacional de Estatística, o deputado do PCP Paulo Sá disse que são números que «mostram claramente que um crescimento económico significativo só será possível com o aumento da procura interna e que isso exige uma alteração da política de rendimentos».

«É necessário repor salários, repor pensões e prestações sociais, valorizando o trabalho, estimulando a procura interna», defendeu, notando que os dados do Boletim Económico contrariam as previsões que o Governo apresentou há menos de dois meses no âmbito do Orçamento do Estado no que diz respeito às exportações e importações.