Olhão, terra de mar e de pescadores. Foi nesta cidade algarvia que o Bloco de Esquerda dedicou quase um dia de campanha. Esta sexta-feira de manhã, o partido foi conhecer uma exploração de aquacultura "offshore" para mostrar como a "sustentabilidade ambiental" pode estar ao serviço da criação de "trabalho e salários dignos". Aí, o partido ouviu alguns dos problemas de quem trabalha no setor da pesca. Depois, já durante a tarde, uma arruada pelas ruas da cidade voltou a ser marcada pelas dificuldades de quem vive do mar.

Eram perto das 18:00 e o calor ainda se fazia sentir na Avenida da República. A caravana bloquista, liderada por Catarina Martins e Leónia Norte, candidata a deputada pelo círculo eleitoral de Faro, arrancava para mais uma ação de campanha. Havia muitos idosos nos bancos de jardim da avenida, que cumprimentaram a porta-voz do Bloco com palavras de incentivo.

Os bloquistas desciam a rua, com bandeiras e jornais, quando um pescador, Tomé Caiado, falou à candidata sobre as quotas da sardinha: as restrições impostas e como isso o afeta diretamente. O trabalho para e depois o subsídio não chega. Catarina Martins não só reconheceu o problema como deixou críticas a Bruxelas e à atuação do Governo.

"Parece que Bruxelas manda no pescado e nós dizemos logo que sim", afirmou a porta-voz do partido.


A arruada, de resto, fez-se em direção ao mar. Esse mar, de que dependem tantos habitantes da cidade.

Pelo meio, o Bloco cruzou-se com a CDU, cuja caravana esperava num largo do outro lado da avenida. "Siga a marinha, não há aqui nada para ver."

Tempo ainda para as queixas dos reformados sobre as pensões. Um deles, um ex-defesa direito do Olhanense. Alexandrino Fernandes disse a Catarina Martins que costumava votar PS, mas agora escolhe o Bloco, precisamente porque gosta de ouvir a dirigente bloquista a falar sobre os reformados.

 "Quando está na Assembleia da República, gosto de a ouvir falar sobre os reformados. Admiro-a."

Tambores, uma roda e Catarina Martins no meio. Na Praça Patrão Joaquim Lopes fez-se um fim de arruada animado, mas com um travo amargo a maresia.