O secretário-geral do «Podemos», o partido político espanhol com menos de um ano que lidera as últimas sondagens em Espanha, acredita que, «provavelmente», vai surgir em Portugal um fenómeno parecido, que defenda propostas semelhantes.
 
«Provavelmente, não com esse nome, não com as mesmas características, mas falamos de situações muito parecidas», defendeu, em entrevista à TVI24 e ao jornal «Público».
 
Enumerando, no caso português, «os níveis de desemprego, a precariedade laboral, a situação das Pequenas e Médias Empresas, os jovens que têm de emigrar em quantidades inaceitáveis e a perceção que grande parte da sociedade portuguesa tem das elites políticas, Pablo admite que «é fácil imaginar que há um cenário político em que se poderia abrir um espaço para uma força política poder dizer: podemos fazer as coisas de outra maneira».


 
Em Portugal para a Convenção do Bloco de Esquerda, o líder do «Podemos» admite também a proximidade entre os dois partidos, que explica pelo «exemplo de dignidade em política» que os bloquistas, na sua opinião, são. 

«Não tem a ver com o seu nome, nem com a simbologia de esquerda, porque essas metáforas de esquerda e direita têm-se revelado incapazes de explicar a realidade. O Bloco tem uma coisa fundamental, que é a defesa da dignidade, e entende que a democracia está associada à soberania e à defesa dos direitos sociais (...) Dignidade é incompatível com dizer sim à troika, com fazer leis fiscais para que as grandes fortunas não paguem impostos, com privilégios da classe política. O BE é um exemplo de que se pode fazer política de outra maneira», explicou. 

Questionado sobre o aparecimento do Livre, Pablo Iglesias não quis falar de «particularidades da política portuguesa». Já sobre o PS, diz, «depende deles».

«Até agora, o que temos vistos nos Partidos Socialistas na Europa é que, nas decisões fundamentais, têm alinhado com os partidos do centro-direita. Por isso é que dizemos: para que serve a esquerda e direita se, no final, na Grécia governam juntos, em Espanha reformam a Constituição juntos, em Portugal, de alguma maneira, estiveram de acordo com políticas de austeridade que empobreceram os nossos países?», questionou.

 
No entanto, admite que os partidos podem juntar-se, ainda que com várias condições:

«Não somos sectários. [Admito alianças] com todo aquele que estiver pela recuperação soberana, pela dignidade, pelos direitos sociais, para que alguém neste país possa dizer “Eu tenho orgulho de ser português e não quero ser uma colónia da Alemanha”, "Não queremos ser um país em que vêm turistas do Norte e estão os nossos jovens qualificados a servir-lhes cafés”, acrescentou.

 
Sem nunca referir as formações comunistas - espanholas ou portuguesas -, o secretário-geral do «Podemos» lamentou alguns erros da «esquerda clássica».

«Há setores da esquerda, com uma boa intenção, que entenderam que fazer política é colocar-se à esquerda do tabuleiro político e tentar ganhar tudo o que as formações sociais-democratas perdiam pela esquerda. É muito respeitável dizer que primeiro estão as minhas ideias, os meus princípios, as minhas bandeiras e os meus símbolos, mas essa é uma mudança social impossível. A mudança social implica construir de novo. Alguns setores da esquerda do nosso país [Espanha] estavam velhos e incapacitados para entender o que se está a passar», apontou.

 


Após enumerar e explicar as propostas do «Podemos» em Espanha, Pablo foi questionado se não precisa de obter apoios na Europa para as concretizar: «Sei que vamos ter muitas dificuldades. Se não encontrarmos apoios na Europa, vai ser muito difícil (...) Por isso é que estou aqui e estive na Grécia», resumiu, sublinhando que acredita que o grego Alexis Tsipras irá vencer as próximas eleições.

«Estamos a pôr a carne toda no assador. A Irlanda também pode estar a caminho de uma mudança política. Em Portugal também gostaríamos muito que avançassem ideias parecidas com as nossas. Quantos mais formos, mais perto estaremos. Estamos a viver um momento muito especial, em que tudo acontece rapidamente. Creio que, em cada vez mais lugares, a mudança vai ser possível».