A troca de farpas entre o Bloco de Esquerda e o Partido Socialista está a aquecer a campanha eleitoral, quando faltam poucos dias para os portugueses serem chamados às urnas. Depois de António Costa ter afirmado, esta terça-feira num almoço-comício, que o Bloco devia gastar menos energias a atacar o PS e mais a atacar a direita, Catarina Martins respondeu à letra ao secretário-geral socialista.

"O Bloco de Esquerda não está nesta campanha para atacar o PS. O Bloco de Esquerda está nesta campanha para propor, procurar e criar soluções. O que era mesmo bom era que António Costa dissesse alguma coisa de esquerda."

Perante uma plateia de cerca de 350 pessoas, a porta-voz do BE recordou, esta noite, num comício em Santa Maria da Feira, as condições que apresentou ao líder do PS para um eventual diálogo entre os dois partidos: "deixar cair a flexibilidade nos despedimentos", haver "respeito pelas pensões", e não "um corte de 1600 milhões por via do seu congelamento", e "abandonar a proposta da redução da TSU".

Catarina Martins sublinhou que, até agora, não houve qualquer resposta a esse desafio e, por isso, confessou "alguma estranheza" ao perceber que "António Costa decidiu dedicar o dia a atacar o Bloco de Esquerda".

"Confesso alguma estranheza quando hoje percebo que António Costa decidiu dedicar o dia a atacar o Bloco de Esquerda. "


A resposta a Costa e o apelo à derrota da TSU, Foram estes os dois momentos que marcaram a intervenção da candidata às legislativas em Santa Maria da Feira.

Catarina Martins atacou a entrevista que Pedro Passos Coelho deu nesta segunda-feira, à SIC, durante a qual admitiu reduzir a TSU dos patrões para a Segurança Social. A porta-voz do BE recordou a "enorme manifestação" que ocorreu no país a 15 de setembro de 2012 que teve, precisamente, como mote a descida da TSU para as empresas.

E enquanto a líder do Bloco discursou sobre este ponto, várias imagens dessas ações de protesto foram mostradas num ecrã gigante ."Arre, que não aprendem!", soltou, Catarina Martins, fazendo vibrar a plateia. Nisto, o apelo ao voto no próximo domingo que foi, no fundo, um apelo à mobilização do país: "Derrotamos a TSU uma vez, teremos de a derrotar novamente."

Antes de Catarina Martins, um dos fundadores do Bloco, Luís Fazenda, subiu ao palco para introduzir uma nova expressão, "a maioria troikuta", e para falar em "acordos marcianos" que poderão invadir a Assembleia da República. 


A "maioria troikuta" e os "acordos marcianos"


O bloquista sublinhou o poder que a troika continua a ter sobre a coligação e o PS para dizer que a maioria absoluta que algumas forças políticas pedem é, na verdade, uma "maioria troikuta".

"Uns dizem que querem uma maioria abosluta, mas a Troika está aí e está presente e essa coisa de maioria absoluta é uma maioria troikuta."


Luís Fazenda recordou ainda as palavras de António Costa sobre a possibilidade de haver um bloco central, que remontam ao mês passado. Na altura, Costa sublinhou que a ideia de um bloco central só seria admitida em siutações extremas, como "uma ameaça de invasão de marcianos". O bloquista aproveitou a deixa e a descoberta de água em Marte, revelada pela NASA esta segunda-feira, para dizer que poderá haver "acordos marcianos" na Assembleia da República para que o Tratado Orçamental, votado tanto pelo PSD como pelo PS, seja aplicado.

"Desconfio que na Assembleia da República deve haver uns marcianos por lá. Mais tarde ou mais cedo deverá haver acordos marcianos para aplicar o Tratado Orçamental."


Quem também discursou neste comício foi o cabeça de lista por Aveiro, Moisés Ferreira, que contou a história da formação do "país PáF", com muitas metáforas, em jeito de críticas, à coligação. O candidato a deputado acusou o PS de "dar a mão à direita" e rematou com a ideia do "voto útil": "O Bloco é o voto útil para quem luta pelos direitos de quem trabalha".