A porta-voz do Bloco de Esquerda (BE), Catarina Martins, disse hoje em Tavira, no Algarve, que a ‘reentré’ da coligação de direita na festa do Pontal, no sábado, deu a perceber que “o CDS morreu enquanto partido autónomo”.

“Assistimos há dois dias, no Pontal, à 'reentré' de PSD. Pelos vistos foi a ‘reentré’ de PSD e CDS e percebemos duas coisas desta campanha, a primeira delas é que o CDS morreu enquanto partido autónomo”, afirmou Catarina Martins, acrescentando que os “centristas” foram à festa social-democrata em Quarteira “fazer de adereço ao PSD”.


A dirigente do BE considerou ainda que outra das coisas que a festa da coligação governamental no Pontal permitiu perceber foi a de que “a direita fará a campanha toda com esperança de que em Portugal não exista memória, com esperança de que nenhum de nós saiba o que aconteceu estes quatro anos”.

“Não estiveram cá, não tiveram culpa de nada, fizeram tudo bem até agora e cumpriram sempre o que disseram, e agora será ainda melhor. E esperam que alguém acredite nestas palavras”, censurou a porta-voz do Bloco, no discurso que fez no primeiro de um conjunto de comícios de verão que o BE vai fazer durante esta semana no Algarve.


Catarina Martins deu como exemplo as declarações dos dirigentes da coligação quando disseram que “acabaram com a economia do endividamento”.

“E diz isto o Governo que mais endividou o país da história da nossa democracia. Eles que diziam que a dívida chegaria no máximo a 114% do PIB e depois começava a descer, pois já vai em 130% do PIB e não há maneira de descer”, criticou a dirigente “bloquista”.


Catarina Martins criticou também a promessa feita hoje pelo ministro da Educação, Nuno Crato, de que iria fazer obras nas escolas, frisando que este é “o mesmo Governo que teve durante estes anos 32 escolas com aulas em contentores, que parou as obras, que pagou milhares e milhares e milhares de indemnizações a construtores porque as obras estiveram paralisadas”.

A dirigente do BE afirmou que “Alberto João Jardim ganhava eleições na Madeira a fazer duas inaugurações por dia” e agora “a direita acha que desta vez vence as eleições legislativas a fazer duas promessas por dia”.

“Como se as pessoas aqui não soubessem o que vale a palavra de quem prometeu nunca cortar subsídio de férias num dia a uma criança numa escola e mal chegou a governo cortou os subsídios de natal”, disse Catarina Martins, numa referência ao primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho.


A porta-voz disse que no BE “há memória e há conhecimento do país” e que “todos sabem das dificuldades do país e das mentiras descaradas que a direita tenta pôr nesta campanha” eleitoral, apontando os números do emprego como uma das mentiras que a coligação tenta passar na sua mensagem e que o Bloco considera não corresponderem à realidade.