“Os portugueses estão a ser refugiados. Não houve ninguém que dissesse que nos estamos a esquecer dos portugueses que ficaram lá fora.” Eurico Ferreira, de 51 anos, não se conforma com o fenómeno da emigração de portugueses e pediu a Catarina Martins para esta ser uma “voz” por todos os que “tiveram de ir atrás do que não tinham cá”. Palavras ditas esta terça-feira, na feira semanal da Lixa, Felgueiras, onde o Bloco de Esquerda esteve para mais uma ação de campanha.

“Muita gente gente desapareceu. Tiveram de ir atrás do que não tinham cá. Há que haver uma voz que diga alguma coisa.”


Eurico Ferreira trabalha de feira em feira, a da Lixa, a de Amarante, a de Felgueiras, e em todas as localidades sente a falta dos que partiram. “Trabalho todos os dias no terreno, sei a falta que faz as pessoas não estarem cá.” E por isso, deixou o apelo a Catarina Martins: “Gosto de a ouvir falar. Vamos falar dos nossos emigrantes.”

Um pedido a que a dirigente do Bloco não ficou indiferente: “Para nós isso é essencial. Não podemos perdoar o Governo por este ter mandado as pessoas emigrar.”

Comerciantes, clientes e curiosos encheram a feira da Lixa, na manhã desta terça-feira, para deixar palavras de apoio aos bloquistas, liderados por Catarina Martins e José Soeiro.

Adelina Mendes, de 71 anos, ganha uma pensão que equivale “a cerca de 50 contos”, ou seja, perto de 250 euros. É pouco para os gastos que tem, lamentou. “Sabe como é, tenho de me governar com isso...”

A defesa das pensões tem sido uma das ideias centrais nos discursos do partido. E nas ações de campanha do Bloco, percebe-se que isso tem conquistado o apoio dos reformados. Adelina Mendes, que fez questão de cumprimentar Catarina Martins, disse que vai votar no Bloco de Esquerda.

A reformada contou que já lhe deram “um papel” da coligação, mas que nem sabe onde está. “Eles deram-me um papel e nunca mais o vi. Para que o quero?”. A opinião sobre o governo sai sem meias medidas ou travo na língua: Passos Coelho “é um carneiro, um mentiroso. Ele e o Paulo Portas.”

A marcha foi avançando ao sabor das palavras de incentivo. “As mulheres é que mandam no mundo e não se medem aos palmos”, disse uma idosa. Alguns metros mais à frente, uma senhora mais nova foi mais longe.

“É a única mulher portuguesa que teve coragem para enfrentar os homens.”


Mas na reta final para o ato eleitoral, o Bloco quer agora, mais do que sentir o apoio da população, conseguir concretizar a simpatia que tem recebido em votos. Segurar a cruz no BE a 4 de outubro será agora a prioridade número um. Convencer pessoas como Júlia Pinto, por exemplo. Com 79 anos, esta popular disse que gosta de ouvir Catarina Martins, mas que ainda não sabe em quem vai votar: “Estou indecisa”, admitiu, sem querer especificar que partidos pesam na sua escolha.