Catarina Martins afirmou, esta terça-feira, que hoje se ficou "a saber que as contas da Parvalorem foram marteladas" e que a ministra das Finanças, Maria Luís Albuquerque "é tão de fiar nas suas contas como a contagem de emissão de gases da Volkswagen". A porta-voz do Bloco de Esquerda reagiu, assim, à notícia avançada pela Antena 1, de que a ministra, enquanto secretária de Estado do Tesouro, pediu para a administração da Parvalorem, a empresa pública que ficou a gerir os ativos de má qualidade do BPN, mexer nas contas de forma a que estas revelassem um cenário de perdas mais otimista do que o real, reduzindo os prejuízos reconhecidos em 2012.  

"O que nós ficamos a saber é que as contas da Parvalorem foram marteladas para disfarçar o impacto do buraco do BPN no défice e que Maria Luís Albuquerque é tão de fiar nas suas contas como a contagem da emissão de gases da Volkswagen. "

Na manhã desta terça-feira, a dirigente bloquista já tinha dito que a notícia não era surpreendente, embora tivesse sublinhando que ainda não tinha analisado os números em causa. À tarde, à margem de uma ação de campanha em Santa Maria da Feira, a candidata às legislativas, com o relatório estudado, não poupou nas críticas à titular da pasta das Finanças.

"A Parvalorem tinha contas fechadas e auditadas e a ministra das Finanaçs  deu instruções para alterarem as contas para disfarçarem o impacto do buraco do BPN nas contas do défice do país. [...] Não há ninguém hoje que possa confiar em Maria Luís Albuquerque quando ela diz seja o que for sobre as contas do país. São contas marteladas no buraco do BPN como têm sido ao longo destes quatro anos."  

Sobre a taxa de desemprego de agosto, que registou uma subida de 0,1 pontos percentuais em relação ao mês anterior, ​conforme divulgou o INE, também esta terça-feira, Catarina Martins disse que não comentava "décimas para cima", assim como não comenta "décimas para baixo". Sugeriu, no entanto, um olhar para os dados sobre o emprego, sublinhando que "há cada vez menos emprego em Portugal".

"Não vou comentar décimas para cima, como não comento décimas para baixo. A taxa de desemprego não reflete a realidade do país por vários fatores, nomeadamente a gigantesca emigração do país. Sugeria que olhassemos antes para o emprego e vemos mais uma vez que há menos emprego em Portugal."


E aqui, a candidata às legislativas atacou a coligação de direita, sublinhando que este foi o Governo "recordista de destruição de emprego em Portugal".

"O Governo tem vindo sempre a destruir o emprego. Este é o Governo recordista da destruição de emprego em Portugal. É a marca da austeridade, a austeridade que significa destruição de emprego, significa destruição da eocnomia e o que estes números mostram é precisamente isso.  Temos cada vez menos emprego. Este Governo vai sair de funções com um PIB mais pequeno, uma dívida maior, um défice igual e com menos emprego ainda que aquele que ja tínhamos. É a marca do falhanço de uma governação."

O Bloco de Esquerda esteve esta terça-feira à tarde numa fábrica que produz calçado para pessoas com deficiência, em Santa Maria da Feira. O objetivo do partido foi sinalizar mais "um bom exemplo" do que se faz no país. 

Catarina Martins sublinhou que nesta fábrica, "os trabalhadores são respeitados", com salários dignos e aumentos que compensam a sobretaxa e a perda de rendimentos.

"Tem uma produção altamente especializada, muito qualificada. Exporta, tem responsabilidade social e faz tudo isto pagando salários dignos, tendo aumentado os salários para compensar a sobretaxa, para que os trabalhadores nao tivessem perda de rendimento e atualizando os salários para lá dessa compensação da sobretaxa. Aqui está um exemplo do melhor que a nossa economia pode fazer."

E aproveitou o caso para defender que "baixar a TSU é uma forma de atentar contra o trabalho".

"Quem está a gerir esta empresa sabe bem que não terá um trabalho de qualidade se for feito à conta da redução dos rendimentos do trabalho." 


Um bom exemplo que a porta-voz do Bloco de Esquerda sugeriu que merecesse a atenção de Pedro Passos Coelho e Paulo Portas. "Querem ajudar as empresas? Baixem os custos da enrgia, não cortem na TSU."

"Era bom que Pedro Passos Coelho e Paulo Portas, que gostam tanto de gabar-se de tudo e mais alguma coisa, pudessem ouvir os bons exemplos do que o país tem e aqui está um : a produção de qualidade consegue-se respeitando os trabalhadores. Querem ajudar as empresas? Baixem os custos da energia, não cortem na TSU."