A Mesa Nacional do Bloco de Esquerda (BE) ratificou este domingo, por unanimidade, o mandato da equipa bloquista que está em negociações com o PS, sem "nenhum limite" quanto à forma que o acordo com os socialistas poderá assumir.

Esta decisão foi transmitida aos jornalistas pela porta-voz do BE, Catarina Martins, em conferência de imprensa, num hotel de Lisboa, no final da reunião da Mesa Nacional deste partido, órgão máximo entre convenções.

A resolução aprovada este domingo por unanimidade pela Mesa Nacional do BE fala "na viabilização de um Programa de Governo" e "na votação de cada orçamento do Estado", e não refere a possibilidade de um Governo conjunto com o PS. Contudo, segundo a porta-voz do BE, "não há nenhum limite no mandato".

Questionada se está excluída a possibilidade de o BE entrar num Governo com o PS, Catarina Martins considerou que essa leitura "é precipitada", acrescentando: "Neste momento, o que está aqui são as garantias que o BE considera poder dar já face ao passo das negociações, que já não são poucas, porque já é um grande passo que é dado, e histórico, no nosso país".

Interrogada se o mandato conferido pela Mesa Nacional estabelece algum limite quanto à forma que um acordo com o PS poderá assumir, a porta-voz do BE respondeu: "Não há nenhum limite no mandato".

Na sua intervenção inicial nesta conferência de imprensa, Catarina Martins reiterou que, "pelo BE, Passos Coelho e Paulo Portas não serão Governo".

Depois, referindo-se às negociações com o PS, considerou: "Hoje, com a aprovação por unanimidade da ratificação do mandato da equipa negocial com o BE para as condições de um Governo que proteja empregos, salários e pensões, nos termos em que as negociações estão a correr, há condições acrescidas por parte do BE de estabilidade, de determinação para que essas negociações cheguem a bom porto".

 

Segundo Catarina Martins, o BE "apresentou propostas muito concretas, com números", e aguarda "que do outro lado possam existir também as respostas concretas quanto ao que está em cima da mesa".

Em resposta aos jornalistas, confirmou que "o ponto da Segurança Social é um ponto central nas negociações".

A resolução do BE hoje aprovada contém um conjunto de decisões, entre as quais a prometida "apresentação de uma moção de rejeição do Programa de Governo da coligação PSD/CDS-PP, no caso de Passos Coelho ser indigitado pelo Presidente da República".

A igualmente anunciada "inviabilização de qualquer moção de rejeição que a direita apresente contra um Programa de Governo do PS" também consta do documento, que autoriza "o prosseguimento das negociações com o PS", bem como "o prosseguimento do diálogo com o PCP sobre o processo de negociações com o PS".

Catarina Martins referiu que essas negociações decorrerão ao longo desta semana: "Durante toda esta semana estaremos a reunir".