A eurodeputada bloquista Marisa Matias rejeitou este sábado que os dois mil milhões de euros da União Europeia destinados a apoiar a Grécia sejam uma dádiva, enfatizando que são «parte do orçamento europeu» e também pagos «pelos contribuintes gregos».

Numa intervenção num comício do BE com dirigentes do Podemos e do Syriza, no Fórum Lisboa, Matias considerou «totalmente inadmissíveis» algumas posições de responsáveis europeus expressas sem fonte nos jornais, que defendem que é preciso «deixar morrer lentamente a Grécia».

«Não temos bem a noção da dimensão do autoritarismo e arrogância das instituições europeias (...) quando o governo grego começa a negociar e a lutar pelo interesse do seu país vermos sair [na imprensa] coisas inacreditáveis», criticou.

A dirigente bloquista considerou ainda que a União Europeia «não vai dar rigorosamente nada» a Atenas.

«Esse dinheiro é do orçamento europeu e destinado a fundos estruturais que não foram utilizados pelos bons alunos, dinheiro que foi pago pelos contribuintes europeus, não estão a dar nenhum dinheiro à Grécia, é parte do orçamento que a Grécia tem por direito próprio», assinalou.

Antes, a dirigente bloquista Joana Mortágua, numa intervenção bastante aplaudida, centrou críticas no Presidente da República e no tratado orçamental, «um golpe de Estado europeu feito nas costas dos povos e contra os povos».

Mortágua apontou o Syriza como prova de que «afinal era possível negociar» na Europa, «falar com ministros e não com técnicos» e rejeitar a austeridade.

«As promessas de Passos Coelho, o relógio de Portas, as declarações de Cavaco, era tudo uma grande fábula, uma história para crianças, a austeridade é uma escolha», afirmou.