A candidata presidencial do Bloco de Esquerda, Marisa Matias, disse esta sexta-feira em Coimbra que não hesitaria em indigitar Passos Coelho primeiro-ministro, caso este apresente, daqui a quatro anos, uma proposta com apoio da maioria do parlamento.

"Se eu for Presidente da República e daqui a quatro anos, aquando das próximas eleições legislativas ele [Passos Coelho] me aparecer em Belém com uma proposta de Governo que tenha assegurado o apoio da maioria do parlamento, não hesitarei em indigitá-lo imediatamente para o cargo de primeiro-ministro sem demoras".


Segundo a candidata, para indigitar Passos Coelho nesse cenário, Marisa Matias não precisaria de "ouvir o que pensam sobre isso todos" os seus amigos, vizinhos e família.

"Espero que esta garantia possa aliviar da grande tensão e do stress traumático pós-eleitoral de que está a dar provas mais agravadas a cada dia que passa o nosso primeiro-ministro".


Marisa Matias também não poupou críticas ao Presidente da República (PR), considerando que, se Cavaco Silva respeitou a vontade dos portugueses em 2011 de "uma maioria de direita", terá de respeitar agora a vontade de uma maioria de esquerda.
 

"Não cabe ao Presidente continuar a perder tempo e a arrastar os pés. Cabe ao Presidente dar posse ao governo que os portugueses escolheram".


A mais nova candidata a estas presidenciais recordou ainda o desafio de Passos Coelho de se fazer uma revisão constitucional extraordinária para que possa haver novas eleições legislativas, considerando esse mesmo desafio de "patético".

"Os apelos a novas eleições de ou nós ou o caos seriam dramáticos se não fossem ridículos", criticou, exigindo "serenidade" e o cumprimento da Constituição da República Portuguesa.

A sessão de apresentação da candidatura contou com a presença da porta-voz do Bloco de Esquerda, Catarina Martins, do deputado bloquista José Manuel Pureza, o antigo assessor de Jorge Sampaio na Presidência da República, José Dias, e o presidente da Capital Nacional da Cultura Coimbra 2003 e ex-diretor do Teatro Académico de Gil Vicente, Abílio Hernandez.