A eurodeputada bloquista Marisa Matias afirmou este sábado que o BE precisa de se «unir e ser diferente» para conquistar o eleitorado, porque «o campo de alargamento existe», e comparou-o a «um casal que está sempre a discutir».

Numa intervenção na IX Convenção do BE, no Pavilhão do Casal Vistoso, em Lisboa, Marisa Matias, que apoia a moção de João Semedo e Catarina Martins, advertiu que «um partido não é um fim em si mesmo, mas um instrumento».

«Andamos há demasiado tempo virados para dentro, precisamos de nos unir e sermos diferentes, o campo de alargamento existe, o BE tem de ser primeiro uma casa de portas e janelas abertas e não uma fortaleza bafienta e sombria», afirmou, num discurso muito crítico da disputa pela coordenação do partido.

A deputada europeia sustentou que «o espaço político do BE não desapareceu, pelo contrário, aumentou», mas o que o diferencia face a outros partidos de esquerda europeus anti-austeridade «são as condições subjetivas».

Em Espanha ou na Grécia, os cidadãos «tiveram austeridade e tiveram governos que não foram melhores que o de Passos Coelho», observou Marisa Matias.

«Mudar depende mais de nós do que dos outros, não basta termos um objetivo pequenino de sermos uma oposição um bocadinho mais forte, um pequeno arranjo, um pequeno remédio, mas se quisermos tocar nos milhões que sentem esta austeridade precisamos de ser diferentes, precisamos de nos alargar e precisamos de não nos fechar», declarou.

Pedro Sales, assessor parlamentar e que integra a Mesa Nacional cessante, comparou os subscritores da Moção E, de Pedro Filipe Soares e Luís Fazenda, aos "treinadores de bancada" e lembrou que aquela corrente sempre integrou os órgãos de direção bloquista.

Pedro Sales manifestou estranheza pelas críticas daquela moção à atual coordenação bloquista e face à proposta de estratégia política.

«Fazer da defesa da Constituição da República o eixo da intervenção do BE é curto», considerou, afirmando que essa linha só faria sentido para «quem queira promover alianças com um programa mínimo» mas não para quem «se recusa a fazer parte do rotativismo».

No mesmo sentido, José Gusmão acusou a moção encabeçada por Pedro Filipe Soares de sustentar a sua argumentação em «mentiras e calúnias» ao sugerir que a atual direção propôs «um governo sem condições a António José Seguro» no verão passado.

«Essa é uma acusação gravíssima, como se a direção do BE fosse uma direção de oportunistas e traidores, os camaradas da moção E só não explicaram o que é que andaram a fazer durante um ano numa direção de oportunistas e traidores», disse.

Para além do tema que dominou o dia, as divergências quanto à estratégia política e a disputa pela liderança, os militantes levaram ao debate o desemprego, a precariedade e a diminuição de direitos sociais e laborais, com o ministro da Solidariedade, Emprego e Segurança Social, a ser o mais visado nas críticas ao Governo PSD/CDS-PP.