A porta-voz do BE anunciou este domingo que o seu partido vai apresentar-se em listas independentes nas futuras eleições antecipadas para a Assembleia Legislativa da Madeira, acusando o PS de estar «nos antípodas» da coligação que governa o Funchal.

«O BE da Madeira propôs hoje à Mesa Nacional a apresentação de uma candidatura autónoma nestas eleições legislativas que, previsivelmente, serão antecipadas. A mesa apoiou e votou favoravelmente esta decisão por uma larguíssima maioria e apenas com três abstenções», afirmou Catarina Martins, após a reunião do órgão executivo bloquista, em Lisboa.

Sábado, o representante da República naquela região autónoma comunicou ao Presidente da República a situação de impasse devido ao pedido de exoneração do histórico líder do Governo Regional, Alberto João Jardim, e Cavaco Silva convocou todas as forças políticas com representação regional para audiências na quinta-feira.

«Lamentavelmente, a proposta do PS está nos antípodas do que é a coligação «Mudança» porque o programa político não oferece condições de rutura e de mudança e porque não teve abertura do ponto de vista dos seus protagonistas para existir a pluralidade e a base social necessárias para dar força a essa alternativa», continuou a dirigente do BE, referindo-se à junção das forças de PS/BE/PND/MPT/PTP/PAN, que conseguiu reconquistar a autarquia do Funchal ao PSD em 2013.

A também deputada do BE salientou que o desacordo com os socialistas vê-se, desde logo, quanto às medidas a tomar sobre o 'off-shore' madeirense, além da elaboração de listas conjuntas, lamentando que o PS queira ter uma candidatura em que as outras forças políticas sejam meros apoios.

O Presidente da República, perante a decisão de Jardim de deixar o «trono» que ocupa desde 1978, terá ainda de convocar o Conselho de Estado a fim de marcar uma data para as eleições antecipadas na Madeira, num prazo de 60 dias, sendo que a maioria dos partidos com assento na assembleia regional já fizeram saber que preferem que o sufrágio tenha lugar em 29 de março.

«Nós não deixamos de lembrar que Miguel Albuquerque, durante duas décadas, esteve à frente da Câmara Municipal do Funchal por indicação de Alberto João Jardim e conviveu e apoiou o «jardinismo» e foi cúmplice do clientelismo, da corrupção e da falta de liberdades na Madeira», sublinhou ainda Catarina Martins.