O Bloco de Esquerda responsabilizou esta quarta-feira o Governo PSD/CDS-PP pela «queda da PT» afirmando que o Executivo cedeu a interesses e pôs em causa o futuro de um operador estratégico de telecomunicações e de milhares de trabalhadores. Esta quarta-feira,  Zeinal Bava renunciou ao cargo de presidente da Oi no Brasil.

«Não será certamente coincidência que a queda livre da PT coincida, temporalmente, com a alienação da golden share do Estado na empresa. Ou que o momento chave da destruição de valor, a venda da Vivo, tenha acontecido com a oposição do Estado, que acabou por se vergar à pressão do maior acionista da PT: o BES», afirmou a deputada Mariana Mortágua.

Numa declaração política no parlamento, a deputada considerou que a «ligação umbilical» da empresa «às necessidades da finança, leia-se Banco Espírito Santo, acabou por colocar o futuro da empresa em risco».

A deputada lembrou as garantias dadas pelo primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, de que a alienação da golden share que o Estado detinha na empresa «teria lugar acautelando os interesses do país».

«Ou Passos Coelho entendia que o interesse do país passava por entregar uma das mais importantes empresas nacionais a um pequeno fundo internacional, sem nenhum conhecimento e capacidade de investimento, ou estamos perante um ato consciente de favorecimento de interesses privados», acusou a deputada, perante o silêncio das bancadas da maioria PSD/CDS-PP.

Para o BE, o que está em causa «é a irrelevância da PT», o posto de trabalho de milhares de pessoas e a previsível deslocação ou desinvestimento no centro tecnológico de Aveiro, onde se concentra a maior fatia do investimento privado em investigação no país».

Sobre a PT, o deputado do PS Marcos Perestrello considerou que «a grande questão é saber como foi possível ao Estado, ao Governo abdicar a troco de nada da golden share que tinha na empresa», afirmando que mesmo que a legislação comunitária a isso obrigasse, a mesma legislação previa mecanismos de proteção do «interesse público».

«Foi uma ação com contornos muito graves. Podemos responsabilizar os gestores, mas não podemos esconder a verdadeiras responsabilidades daqueles que, escondidos atrás das moitas, tem a verdadeira responsabilidade», afirmou.

Pelo PCP, o líder da bancada, João Oliveira, considerou que é hoje evidente «o prejuízo para o país da política de privatizações» prosseguida por vários governos.