O militante do Bloco de Esquerda João Madeira defendeu esta segunda-feira um «balanço rigoroso» do resultado do partido nas eleições europeias de domingo, apesar de ter elogiado o «excelente trabalho» da eurodeputada Marisa Matias durante a campanha.

«O caminho que o partido terá de fazer agora é o de um balanço rigoroso deste processo eleitoral, que será iniciado na próxima reunião da Mesa Nacional, do próximo domingo, e que deverá prosseguir no processo de convecção que se aproxima», disse João Madeira, em declarações à Agência Lusa.

Para João Madeira, que na última convenção do Bloco apresentou uma lista à Mesa Nacional, há um «processo de fragmentação do espaço que o bloco devia ocupar» na política portuguesa, que o responsável atribui a diversos fatores, entre os quais a constituição do Partido Livre, liderado pelo ex-bloquista e deputado europeu Rui Tavares.

«Há um processo de fragmentação do espaço que o bloco devia ocupar que tem a ver com o processo de constituição do Partido Livre, com algumas franjas que se aproximam do próprio PAN, algumas outra franjas mais radicalizadas e inconformadas que podem ter sido seduzidas pela proposta apresentada por Marinho e Pinto», explicou.

João Madeira frisou que o Bloco encontra-se com «dificuldades em resistir» à fragmentação de que tem vindo a ser alvo, admitindo que a apreciação da própria liderança do partido deverá estar «em cima da mesa», juntamente com outras questões.

«[Os resultados]demonstram uma derrota do BE, não vale a pena iludir a questão, mas reconhecer com humildade e procurar naturalmente e internamente [a solução]», explicou o militante do BE, que se candidatou à presidência da Câmara Municipal de Santiago do Cacém nas autárquicas 2013.

João Madeira sublinhou que a nível geral os resultados demonstram uma «rejeição da política de governo», apesar de a eleição ter uma dimensão europeia.

O ex-dirigente bloquista salientou ainda a «boa prestação» da eurodeputada Marisa Matias, que considerou ter realizado uma campanha «de entrega, entusiasmo e dinamismo», apesar de ter partido numa «situação difícil em relação ao Bloco».

Para João Madeira, o partido precisa de refletir para evitar que se «prolongue um ciclo de derrota e de emagrecimento» dos seus seguidores.

«O Bloco irá entrar em processo de convenção ordinário até ao final do ano e deverá ser a altura mais adequada para ver o problema», reiterou.

O PS é o partido com mais mandatos nas eleições europeias de domingo depois de apuradas os resultados em todas as 3.092 freguesias de Portugal e em 54 dos 71 consulados, segundo dados da Direção Geral de Administração Interna (DGAI).

Os resultados indicam sete deputados (31.45%) para o PS, seis (27.71%) para a aliança Portugal (PSD/CDS-PP), dois (12.68%) para a CDU (PCP-PEV), um (7.15%) para o Partido da Terra (MPT) e outro (4.56%) para a Bloco de Esquerda, faltando atribuir quatro dos 21 mandatos de Portugal no Parlamento Europeu, que dependem dos resultados no estrangeiro.

Um dos partidos derrotados da noite de domingo foi o Bloco de Esquerda, que deverá passar a ter um único eurodeputado (contra três em 2009).

A coordenadora Catarina Martins assegurou que «todos os partidos retiram consequências políticas de todos os resultados» e que o Bloco vai fazê-lo também.