Pedro Filipe Soares, do Bloco de Esquerda, disse que as eleições gregas podem trazer para Portugal uma mudança de perspetivas e aconselhou o Governo a trabalhar com a Grécia na afirmação dos interesses dos países periféricos.

«O governo português deveria trabalhar com a Grécia, no sentido de defender os interesses da periferia contra o centro da Europa. Esse é que deveria ser o desafio», disse o deputado, considerando o resultado das eleições gregas «um facto enorme» e que «hoje a Europa não está igual».

Pedro Filipe Soares, que integra a liderança do BE, falava aos jornalistas no lançamento de uma campanha de recolha de assinaturas contra a austeridade e pela desvinculação de Portugal do Tratado Orçamental, iniciada esta segunda-feira em Aveiro.

«O que muda com estas eleições gregas é que agora temos a esperança a vencer o medo. É um facto enorme porque estivemos durante estes anos sob o espectro do medo e da chantagem: não podem fazer isto porque se não vão sair do euro, não podem renegociar a dívida porque se não os mercados vão subir os juros da dívida, não podem ter nenhuma voz contra a austeridade porque se não os santos podem cair do altar».


Para o deputado bloquista, as eleições gregas podem trazer a mudança de perspetivas em Portugal, porque demonstraram que a esperança pode suplantar «o reino da chantagem e do medo», sendo essa «a grande força» que as eleições gregas podem trazer.

«É a perceção de que há a possibilidade de uma alternativa e de termos uma política diferente. Os gregos deram uma lição imensa à Europa e a própria Europa, como se vê pela manhã de hoje, não está igual depois da vitória do Syriza».


A recolha de assinaturas visou sensibilizar as pessoas de que «não é obrigatório que Portugal esteja ligado ao tratado orçamental e a cumprir as suas metas, que esquece as pessoas e coloca em cima da mesa preferencialmente os bancos e o setor financeiro».

«A resposta que devemos dar é colocar as pessoas à frente da finança e por elas nós queremos que Portugal se desvincule de um tratado que é contra os direitos fundamentais».