A coordenadora do Bloco de Esquerda, Catarina Martins, considera que o ministro da Saúde “não tem sido capaz de resolver as questões das carreiras” dos profissionais do setor e defende a intervenção do primeiro-ministro.

Catarina Martins falava aos jornalistas em frente do Hospital de São José, em Lisboa, onde esta quinta-feira o Sindicato dos Enfermeiros Portugueses (SEP) fez um balanço da greve.

Tem faltado ao ministro da Saúde capacidade de dialogar com os vários profissionais de saúde. Temos as questões das carreiras dos enfermeiros por resolver há tanto tempo, mas também com os médicos e os técnicos superiores de diagnóstico e terapêutica”.

Para Catarina Martins, o ministro da Saúde, Adalberto Campos Fernandes, “não tem sido capaz de resolver as questões das carreiras. Achamos que este é o momento em que o primeiro-ministro devia intervir neste problema”.

A líder dos bloquistas defende a resolução do problema, até porque “o Serviço Nacional de Saúde (SNS) não funciona sem profissionais de saúde e sem carreiras, que são se elementar justiça”.

De uma forma imediata, Catarina Martins defendeu “a contratação imediata de 1.500 enfermeiros. Tem de acontecer e não pode ficar na gaveta do ministro das Finanças”, disse.

Greve "justa"

Igualmente presente no local onde o SEP realizou o primeiro balanço da greve que decretou, a deputada Carla Cruz (PCP) classificou de “justa” o protesto dos enfermeiros.

O que reivindicam é uma questão de resposta imediata, da contratação de profissionais e de enfermeiros. De imediato estão entre 1.000 a 1.500 necessários. São imprescindíveis para a prestação de cuidados de qualidade”, disse.

Segundo Carla Cruz, “há instrumentos que o Ministério da Saúde tem que permitem tomar nas suas mãos a contratação de profissionais, dignificar a carreira destes profissionais e desta forma valorizar o SNS”.

Também o secretário-geral do PCP se mostrou solidário e compreensivo para com a greve de dois dias de enfermeiros, considerando tratar-se de uma classe de profissionais de saúde "muitas vezes mal considerados" pelo poder político.

Queria manifestar mais uma vez a nossa solidariedade e compreensão pela justa reivindicação do setor dos enfermeiros que têm sido, muitas vezes, mal considerados neste quadro de avanços, reposição de rendimentos e direitos", disse Jerónimo de Sousa.