Mariana e Marta são casadas e têm um filho de três anos. A lei, no entanto, só permite que uma delas seja "a mãe" e neste caso, é Mariana, que o carregou durante nove meses. Em breve, Marta, que está grávida, também será mãe no papel. Em breve, Mariana e Marta terão duas crianças, mas aos olhos da lei só poderão ser mães de uma. O casal expôs a sua situação a Catarina Martins e a porta-voz do Bloco de Esquerda não teve dúvidas na resposta. "São as duas mães por direito."

A dirigente bloquista assegurou que em casos como este  "a prioridade é mudar a lei do registo civil". Algo que, salientou já foi revisto na legislação de outros países. 

"É o que já existe noutros países. não estaríamos a inventar a roda."


A garantia foi deixada por Catarina Martins esta quinta-feira, à margem de uma visita à Associação Portuguesa de Surdos, em Lisboa. Marta é surda e outros que, como ela, falam a Língua Gestual Portuguesa, vincaram as suas precoupações ao Bloco.

A ação de campanha ocorreu no dia em que a instituição comemorou 57 anos de existência e contou com a presença de Mariana Mortágua e Pedro Filipe Soares. O objetivo?  "Chamar a atenção para o facto das pessoas com deficiência em Portugal estarem condenados a uma cidadania de segunda." 

Catarina Martins sublinhou que as pessoas com deficiência não têm "condições para viverem em plenitude da democracia, como todas as outras", seja quando vão às finanças, na escola ou a ver televisão. 

Nesta associação, o Bloco reconheceu as dificuldades e prometeu fazer diferente. Um primeiro passo já foi dado: Catarina Martins anunciou que o programa do partido já existe em Língua Gestual Portuguesa, podendo ser consultado através de um vídeo na Internet.